Embaixada do Irã nega veto a Paulo Coelho

Teerã acusa EUA e Israel de criar boato para manchar imagem do Irã e diz que censura é contra editora, não livros

Lisandra Paraguassú, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

A Embaixada do Irã em Brasília negou ontem que tenha censurado os livros do escritor brasileiro Paulo Coelho. A censura teria sido feita à editora, e não aos livros do brasileiro, informaram diplomatas iranianos. O que significa que o escritor pode continuar publicando no Irã, mas teria de trocar de editora. Em nota, a diplomacia iraniana acusou os Estados Unidos e Israel, associados com o editor do escritor brasileiro, Arash Hejazi, de tentar "manchar a imagem do Irã" e prejudicar as "relações sinceras entre Brasil e Irã".

"Infelizmente, essa notícia foi criada e planejada por Arash Hejazi com a colaboração e orientação de agentes dos Estados Unidos e Israel, em consonância com um plano global com o intuito de manchar a imagem do Irã, cujo aproveitamento político busca falsificar a verdade", diz a nota, acrescentando eles conseguiram "se juntar a autoridades e personalidades nesta armadilha".

A informação de que os livros de Paulo Coelho tinham sido proibidos pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica foi repassada ao escritor por Hejazi no início da semana. Em seu blog, Coelho reagiu ao que chamou de censura, disse esperar que fosse um mal entendido e acionou o Itamaraty.

Na terça-feira, o embaixador do Irã em Brasília foi chamado pelo Itamaraty para uma conversa com o secretário-geral, embaixador Ruy Nogueira, e disse que não tinha conhecimento da norma. O embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, também foi contatado e informou que não havia, aparentemente, qualquer proibição e os livros continuam sendo vendidos.

Teerã acusa o editor de Paulo Coelho de assassinato e afirma que Hejazi é "foragido e procurado". O editor, que também é médico, prestou socorro à iraniana Neda Agha-Soltan, que morreu durante os protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Por enquanto, o governo brasileiro aceitou a resposta do governo iraniano, mas deve continuar acompanhando a situação.

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