Embaixada dos EUA no Afeganistão é invadida

Gritando "Longa Vida Osama!" e "Morte à América!", manifestantes queimaram bandeiras norte-americanas e um boneco representando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, antes de invadirem a abandonada embaixada dos EUA na capital afegã. Eles incendiaram carros velhos e uma guarita e arrancaram o brasão norte-americano sobre a entrada do prédio.No norte do Afeganistão, onde uma aliança opositora combate tropas do governo Taleban do Afeganistão, foram registrados fortes confrontos em territórios-chave.Armas confiscadasA rádio Cabul, citando autoridades não identificadas do governo afegão, divulgou que forças do Taleban obrigaram o recuo de tropas da oposição no distrito de Razi, na província de Badghis, noroeste do Afeganistão. A autoridade afirmou que muitos combatentes da oposição foram mortos, sem, no entanto, oferecer um número exato, e disse que armas foram confiscadas. Um comandante da aliança, Abdul Rashid Dostum, confirmou a notícia.O líder do Taleban, mulá Mohammed Omar apelou aos afegãos que partiram da capital Cabul para retornarem. Mesmo se a cidade for atacada, eles estarão seguros, garantiu ele num fax enviado para meios de comunicação no Paquistão.Mas, segundo ele, é "mais improvável" que haja um ataque porque os EUA não têm provas de que Osama bin Laden foi o responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro. "Os norte-americanos não têm motivos, justificativas ou prova para nos atacar", afirmou Omar. "Por isso, convidamos todos os que fugiram dentro e fora do país a retornar às suas residências".PaquistãoNa capital do vizinho Paquistão, Islamabad, oficiais paquistaneses e dos EUA chegaram a um acordo sobre um programa antiterrorista, que inclui colaboração para um possível ataque contra base terroristas no Afeganistão. Mas alguns pontos controversos persistiam.Pedindo para não serem identificados, os oficiais disseram que os dois lados querem reduzir o uso de forças terrestres em qualquer ataque. As conversações, que tiveram início na segunda-feira, estão sendo realizadas entre altos oficiais paquistaneses e uma delegação norte-americana composta por representantes da defesa e da inteligência.Um dos pontos de discordância seria se os Estados Unidos ou outros países deveriam apoiar a aliança oposicionista afegã, algo que o Paquistão - o único país que ainda mantém relações diplomáticas com o Taleban - tem sérias objeções.ONUOutros pontos em disputa: que tipo de ação seria justificável contra grupos militantes baseados no Paquistão; e se as Nações Unidas devem ou não aprovar ação contra o Afeganistão.Algumas diferenças teriam sido resolvidas na terça-feira num encontro entre integrantes da delegação americana e o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, segundo autoridades, que não especificaram quais delas. Uma rodada final de discussão deveria ocorrer ainda hoje em Islamabad.O Paquistão está claramente incomodado com a discussão pública de seu papel em qualquer ataque dos EUA. Um porta-voz do Ministério do Exterior, Riaz Mohammed Khan, disse hoje que "nenhuma operação conjunta nem planos de contingência específicos foram apresentados ao governo paquistanês".Ele voltou a sublinhar que a luta não era contra o Afeganistão ou seu povo, mas contra o terrorismo. "O Paquistão não pode e nunca poderá se unir a qualquer ação hostil contra o Afeganistão ou o povo afegão - somos profundamente conscientes de que o destino dos dois povos está interligado", acrescentou.Contas congeladasEnquanto isso, autoridades informaram que o Banco do Estado do Paquistão ordenou aos bancos do país para congelar investimentos de 27 grupos suspeitos de laços terroristas, incluindo dois grupos baseados no Paquistão - sendo que um deles luta contra o regime indiano na disputada região da Caxemira.Protestos antigovernamentais têm sido realizados em cidades de todo o Paquistão desde que Musharraf prometeu apoio a uma ação militar norte-americana no Afeganistão.Hoje, ativistas lançaram uma granada e abriram fogo contra centenas de pessoas que se reuniam em Karachi para o que seria a primeira manifestação pública de apoio a Musharraf. Pelo menos 12 pessoas ficaram feridas, segundo a polícia. Os atacantes fugiram.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.