Embaixada dos EUA retoma concessão de vistos

A embaixada americana em Brasília retomou nesta segunda-feira a concessão de vistos para quem deseja viajar aos Estados Unidos, mas mudou a rotina de atendimento dos interessados.Por medidas de segurança, as pessoas foram impedidas de entrar no prédio para pegar os passaportes, prática comum antes dos ataques. A documentação foi entregue na portaria.O serviço estava suspenso desde o último dia 11 de setembro, quando ocorreram os atentados terroristas ao World Trade Center, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington.No primeiro dia de atividades, uma pequena fila formou-se na porta da embaixada. Diariamente, a embaixada concede, em média, entre 300 e 400 vistos. Entre o meio-dia de terça-feira e as 17h de sexta-feira, calcula-se que cerca de 1.300 vistos tenham deixado de ser emitidos.Além de retomar o atendimento ao público, a embaixada também abriu um livro de condolências às vítimas dos atentados.O encarregado de negócios, cargo que equivale ao de vice-embaixador, Cristobal Orozco, espera receber assinaturas de diplomatas e autoridades brasileiras.Nesta terça-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso irá pessoalmente à embaixada para assinar o livro.A situação nos Estados Unidos e a ameaça de uma guerra contra o Afeganistão, além do risco de outros atentados, assustou as pessoas que planejavam viajar para aquele país, mas não o suficiente para fazê-las mudar de planos."Se eu tiver de morrer, vou morrer dormindo", garantiu a peruana naturalizada brasileira Célia Gutierrez.Com as malas prontas para ir a Miami, ela torce para que não estoure uma guerra. "Meu pai participou da guerra entre o Peru e o Equador e eu sei que é algo horrível", completou.Funcionária de uma empresa de transportes, Ana Rúbia Cruz vai para Las Vegas, no início do mês de outubro, para participar de um congresso profissional. "Quando eu vi as imagens do atentado na televisão, pensei em desistir de viajar, mas acabei mudando de idéia." A passagem já está comprada - Ana Rúbia viaja pela United Airlines, uma das empresas que tiveram quatro aviões seqüestrados pelos terroristas. "Como todo mundo que viu a catástrofe, estou insegura e apreensiva".Já o policial civil Tinoco Ezequiel vai comemorar o aniversário de um ano de sua netinha, em Washington. A sua filha mora há três anos nos Estados Unidos, casada com um brasileiro que trabalha como corretor de imóveis.Há um ano e meio, seu filho caçula, de 24 anos, também mudou-se para lá. Tinoco havia solicitado o visto para viajar na terça-feira de manhã. Quando chegou em casa, viu o ataque pela televisão.Ele contou ter tentado entrar em contato com filhos, mas o telefone e a internet estavam cortados. "Só no final do dia eu consegui falar com eles." Um dos filhos, que trabalha a 300 metros do Pentágono, faltou naquele dia porque estava doente.

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