Embaixadas dos EUA espalham temor de antraz pelo mundo

Um laboratório de microbiologia da Lituânia confirmou hoje que era antraz a substância encontrada em pelo menos um malote diplomático enviado do Departamento de Estado americano, em Washington, à Embaixada dos EUA em Vilna, capital do país. É o primeiro registro da bactéria na Europa, embora centenas de casos tenham sido denunciados em vários países do continente desde o surgimento do ataque bacteriológico nos EUA. Os 120 funcionários estão sendo examinados e começaram a tomar antibióticos, como medida de prevenção. Nenhum apresenta sintomas da doença. O antraz foi achado nos cantos de um malote depois de toda a correspondência e material da seção de correio interno ter sido testado, seguindo orientação dada pelo governo americano a todas as suas representações diplomáticas. Em Montevidéu, capital uruguaia, a embaixada dos EUA foi esvaziada depois de ter recebido uma carta com um pó suspeito. Por outro lado, as autoridades sanitárias da Argentina negaram hoje que a substância achada numa carta enviada dos EUA para uma cidadã do país era antraz, como chegou a ser confirmado no dia 19. Em todo o caso, o diretor do principal laboratório estatal argentino encarregado dos testes, Andrés Ruiz, disse que o material testado seria encaminhado para um centro de controle bacteriológico nos EUA, para nova verificação. Hoje também as autoridades americanas informaram resultado positivo em testes preliminares da bactéria em quatro salas do setor de correspondência da agência de alimentos e medicamentos (FDA, na sigla em inglês), em Rockville, no Estado de Maryland - vizinho de Washington. Em Kansas City, no meio-oeste americano, duzentos empregados da sede do serviço postal começaram a ser medicados depois de traços de antraz terem sido achados nas dependências. Até então, esporos da bactéria só tinham sido achados na costa leste do país. Na Lituânia, a notícia sobre o antraz, divulgada pela chefe do laboratório de um centro de saúde público, Kazimiera Rutiene, chocou a população. "Isso prova que nenhum lugar no planeta está a salvo da ameaça do bioterrorismo", afirmou o chefe do Departamento de Segurança, Arvydas Pocius. "Eu achava que essa terrível doença não iria cruzar a fronteira americana" comentou a professora Rima Sirvinskiene. O último caso conhecido de contaminação por antraz na Lituânia foi em 1974: um fazendeiro que teve contato com solo onde tinham sido enterrados animais contaminados. Ele se recuperou logo. O metrô da cidade de Nova York está sendo submetido a exames pelas autoridades sanitárias, intrigadas com a morte na quarta-feira, causada por antraz, da imigrante vietnamita Kathy Nguyen, de 61, funcionária de um hospital. A informação foi divulgada pelo diário The New York Post. A direção do sistema de metrô não quis comentá-la. Como traços da bactéria não foram encontrados nem no local de trabalho dela nem em sua residência, os peritos estão verificando todos os lugares por onde ela costumava passar e entrevistando seus parentes, amigos e pessoas com as quais teve contato recentemente. Ela tomava todos os dias o metrô para ir ao trabalho. Um funcionário do governo americano adiantou que o antraz que matou Kathy é do mesmo tipo do encontrado numa carta enviada ao senador democrata Tom Daschle. O diário The New York Times informou hoje que a Casa Branca se empenhará em modificar o tratado internacional de armas biológicas, de 1972, a fim de tornar crime a compra, fabricação e posse desse tipo de armamento em atentados terroristas. A proposta será levada a um encontro dos 143 signatários em Genebra, no dia 19. Leia o especial

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