Embaixador brasileiro teme protestos no Paquistão

As ruas de Islamabad, capital paquistanesa, já estavam desertas quando o Afeganistão começou a ser bombardeado pelas forças aliadas na noite de hoje (horário local). O embaixador brasileiro no Paquistão, Abelardo da Costa Arantes Jr., acompanhava as notícias de casa pela TV. O diplomata disse por telefone à Agência Estado que a calmaria da cidade poderia ser quebrada a partir da manhã de amanhã com manifestações de grupos fundamentalistas e simpatizantes do Taleban. A expectativa era de que protestos poderiam ser mais intensos em Karachi e Rawalkindi, apesar da proibição do governo a manifestações públicas. "O governo já disse que não permitirá desafios à política de alinhamento", disse Arantes. O brasileiro não vê risco de rompimento da ordem social no país e disse que o regime do general Pervez Musharraf poderia até realizar prisões em massa caso os fundamentalistas decidam desafiar suas ordens. "O governo tem dado mostras de que controla a situação no país." Arantes afirmou que na sexta-feira já havia sinais de que o ataque a alvos em território afegão aconteceria hoje. "Dentro do corpo diplomático de Islamabad falava-se, na sexta-feira, que o ataque seria hoje." O embaixador lembrou porém que ao longo de toda a semana passada correram especulações semelhantes que acabaram não se confirmando. Perguntado sobre indícios da presença de forças norte-americanas no país, Arantes disse que o governo vem negando qualquer operação estrangeira, mas completou que é difícil se obter informações sobre o que ocorre no interior de bases militares paquistaneses. A Embaixada do Brasil em Islamabad vem mantendo contato permanente com os brasileiros que vivem no país - cerca de 30 pessoas. O embaixador afirmou que não há temor pela segurança dos brasileiros. Pelo menos por enquanto não há qualquer iniciativa especial sobre a segurança da comunidade. Além de manisfestações que poderiam voltar a chacoalhar cidades paquistanesas, os ataques ao país vizinho devem, disse Arantes, acelerar entrada de afegãos pela extensa fronteira com o Paquistão. "As principais estradas foram bloqueadas, mas é muito difícil controlar esse fluxo." Leia o especial

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