REUTERS / Jose Miguel Gomez
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Embaixador da Colômbia na OEA cobra reação à crise com Venezuela

Em intervenção dramática, diplomata diz que atos de Caracas com cidadãos de seu país lembram ‘episódios amargos da humanidade’; em viagem à Ásia, Maduro afirma que presidente colombiano é cúmplice de plano para assassiná-lo

O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 02h00

WASHINGTON - A missão da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA) exigiu ontem que o Conselho Permanente da entidade emita uma reação e não se mantenha à margem sobre a crise na fronteira com a Venezuela e da “grave situação humanitária” que se criou. A pedido de Bogotá, diplomatas da OEA discutiram a situação dos colombianos deportados pela Venezuela. 

“Viemos doloridos, ultrajados, indignados. Temos assistido atônitos à deportação arbitrária e aos maus-tratos aos compatriotas (por parte da Venezuela) somente pelo fato de serem colombianos e não terem seus documentos em dia”, disse o embaixador colombiano na OEA, Andrés González. 

Para expor a situação na fronteira, o diplomata fez uma dramática intervenção diante dos embaixadores da organização. “Invadir as casas, tirá-los à força, separar as família, não deixá-los tirar os próprios bens e marcar as casas. Marcar as casas para depois derrubá-las. Por Deus!”, descreveu González. “Esses são atos inaceitáveis que lembram episódios amargos da humanidade que não podem se repetir, menos ainda no mundo novo da democracia e das pessoas livres.”

No dia 19, Maduro ordenou o fechamento de um trecho de 160 quilômetros dos 2,2 mil da fronteira entre os dois países sob o argumento de lutar contra paramilitares e o contrabando. Segundo a União Nacional de Gestão de Risco de Desastres (UNGRD), da Colômbia, 1.097 pessoas foram deportadas pela Venezuela e outras 7.162 abandonaram voluntariamente o país vizinho por medo de passar pela mesma situação. Ontem, o governador de Táchira, Estado na divisa da Venezuela com a Colômbia, José Vielma Mora, afirmou que 800 colombianos foram devolvidos ao país vizinho desde o fechamento da fronteira. 

Segundo o jornal venezuelano El Nacional, em sua intervenção, o embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, afirmou que “há uma campanha de ódio na Colômbia contra a Venezuela” desde que o governo anunciou o fechamento da fronteira. 

O diplomata argumentou que a decisão da Venezuela é soberana e tem o apoio do povo. Ele afirmou ainda que a decisão foi tomada para enfrentar os “colombianos irregulares” que “esvaziavam as prateleiras” na Venezuela para “revender os produtos em seu território” sob o “olhar indiferente de suas autoridades”. 

A Colômbia quer uma reunião de chanceleres da OEA o mais breve possível para “denunciar as deportações coletivas, que não estão de acordo com o direito internacional e requerem um devido processo”.

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) também fará uma reunião extraordinária de chanceleres para analisar a crise na quinta-feira, em Quito. A reunião também foi um pedido de Bogotá.

O diretor-executivo para as Américas da ONG Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, afirmou ontem que o estado de exceção declarado por Maduro na fronteira com a Colômbia deveria ter colocado em alerta a comunidade internacional. “Há cada vez mais evidências críveis de que se estariam produzindo violações dos direitos humanos”, disse.

 

Vivanco explicou que não há dúvidas de que o governo venezuelano pode adotar medidas para proteger sua população. “No entanto, considerando o registro deplorável das forças de segurança venezuelanas, a impunidade que prevalece em casos de violações dos direitos humanos cometidos por membros dessas forças e a falta de independência judicial no país, deve haver um monitoramento mais cuidadoso das medidas tomadas pelo governo venezuelano”, declarou num comunicado, no qual também cobrou uma posição mais firme da Unasul e do Mercosul sobre a crise. 

Plano. Em visita ao Vietnã, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por sua vez, acusou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de “cumplicidade com um plano” para acabar com sua vida.

“De Bogotá, agora nos estão agredindo. Tenho provas, que vou mostrar, de que, de Bogotá, estão elaborando uma campanha para me matar, lamentavelmente, com a anuência e a vista grossa do governo da Colômbia, para assassinar o presidente Nicolás Maduro”, declarou o líder venezuelano. 

Segundo Maduro, Santos está “se deixando levar por seus assessores” e “perdendo a sensatez”. / EFE e AP 

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