Embaixador da Líbia no Brasil se recusa a 'abandonar Kadafi'

Diplomata afirma que não deixará cargo e, como o ditador, culpa Al-Qaeda por protestos no país

estadão.com.br

24 de fevereiro de 2011 | 17h56

 

BRASÍLIA - O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, disse que apoia o ditador líbio Muamar Kadafi e, seguindo o discurso do coronel, acusou a organização terrorista Al-Qaeda de comandar os protestos contra o governo. Segundo Ezubedi, a "participação de terroristas" motivou o governo líbio a repreender as manifestações.

 

Veja também:

especialLinha do Tempo: 40 anos de ditadura na Líbia

documento Arquivo: Kadafi nas páginas do Estado

especialInfográfico:  A revolta que abalou o Oriente Médio

blog Radar Global: Os mil e um nomes de Kadafi

lista Análise: Hegemonia de Kadafi depende de Exército fraco

 

Ezubedi disse que seguirá no cargo e não abandonará o apoio a Kadafi, como fizeram ministros, embaixadores e militares ligados ao coronel. "Eu aqui represento meu país e considero meu trabalho uma responsabilidade e honra. O abandono do cumprimento da minha responsabilidade seria uma traição ao meu país", disse.

 

 

De acordo com o embaixador, os terroristas roubaram armas com o objetivo de controlar os poços de petróleo do país e "invadir" a Europa. Ele disse que os manifestantes, que estão nas ruas há 11 dias, usam a população como escudo humano. "Temos provas e informações de que a Al-Qaeda deseja fundar um centro de mobilidade na região leste da Líbia para atacar a Europa", afirmou.

 

 

Segundo Ezubedi, diante da ameaça à unidade do país e às nações vizinhas e da tentativa de "transformar a Líbia em uma nação terrorista", o governo resolveu enfrentar a situação. "Sentimos muito pelas vítimas inocentes e contamos com eles como mártires perante Alá", disse. "Todo o país tem o direito de lidar contra quem apresenta ameaça para sua segurança e unidade", justificou.

 

O embaixador disse também que a situação na maior parte da Líbia é boa e negou que a tensão na cidade de Benghazi, segunda maior do país e onde ocorrem os conflitos mais violentos, seja grave como "está sendo divulgado na mídia tendenciosa". "Para terem certeza, podem conversar com alguns brasileiros que retornaram", disse, acrescentando sobre esse assunto que os brasileiros que ainda estão na nação africana retornarão ao País o mais breve possível.

 

Os protestos contra Kadafi chegaram ao 11º dia nesta quinta. Os manifestantes tomaram o controle de diversas cidades no leste do país e estão se aproximando de Trípoli. A capital ainda está sob comando do governo. Os enfrentamentos continuaram e devem seguir na sexta, dia de orações para os muçulmanos.

 

Com Agência Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.