Embaixador da Líbia nos EUA renuncia e alia-se a revoltosos

Ali Aujali adere a motim de diplomatas líbios e pede à comunidade internacional que condene regime Kadafi

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

O embaixador da Líbia nos Estados Unidos, Ali Aujali, aliou-se ao motim de diplomatas de seu país ao renunciar ontem e apelar para Muamar Kadafi deixar o poder. Também insistiu para que a comunidade internacional condene fortemente o regime líbio pela reação violenta contra as manifestações pró-democracia nos últimos dias. Aujali deixou claro ter renunciado à posição de representante do governo Kadafi. Mas afirmou que continua a servir ao "lado bom da Líbia".

"Eu creio que ele deve renunciar, claro, depois do que aconteceu no nosso país. Não há outra solução. Ele deve dar ao povo a chance de decidir seu futuro", afirmou Aujali, servidor público desde o início do regime de Kadafi. "Como posso apoiar um governo que mata a nossa gente? O que eu vi agora com os meus olhos é algo inaceitável", completou à agência Associated Press.

À rede de televisão ABC, Ali Aujali disse que o regime líbio está "desmoronando". "É hora de livrar-se dele", afirmou. Dois auxiliares de Aujali seguiram o mesmo caminho e também renunciaram. Segundo a rede de televisão Al-Jazira, os conselheiros Saleh Ali Al Majbari e Jumaa Farisa acusaram Kadafi de "carregar a responsabilidade por um genocídio contra o povo líbio, no qual se valeu de mercenários". Ambos pediram ao presidente americano, Barack Obama, que pressione pelo fim dos massacres no Líbia. Também pediram às Nações Unidas a imposição de isolamento aéreo sobre a Líbia, para impedir o desembarque de mercenários.

Aujali atuava como embaixador do regime Kadafi em Washington desde 2006, quando a representação da Líbia foi recriada no país. No ano passado, o governo americano enviou a Trípoli seu primeiro embaixador desde o início dos anos 70, Gene Cretz. A relação bilateral começou a ser reconstruída em 2006, três anos depois de Kadafi ter decidido abandonar os programas nuclear e de produção de mísseis de longo alcance.

O motim na diplomacia líbia já alcançou as Nações Unidas, onde outro diplomata, Ibrahim Dabbashi, renunciou e ainda pediu a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança para tratar da reação violenta de Kadafi aos manifestantes. Diplomatas em serviços nas representações líbias na Austrália, em Bangladesh, na Índia, no Egito, na Agência das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e Malásia também renunciaram.

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