EFE/ Virginia Hebrero
EFE/ Virginia Hebrero

Embaixador da Venezuela na Itália renuncia com carta pública

Em texto divulgado nas redes sociais, Julián Isaías Rodríguez Díaz se disse orgulhoso de ter sido companheiro de Nicolás Maduro, mas informou que deixa o cargo 'sem rancores e sem dinheiro'

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 09h07

ROMA - O embaixador da Venezuela na Itália, Julián Isaías Rodríguez Díaz, renunciou ao cargo em uma carta enviada ao presidente Nicolás Maduro e divulgada pelas redes sociais, na qual afirma que se afasta "sem rancores e sem dinheiro".

Na longa carta, Rodríguez, de 77 anos, que foi constituinte em 1999, vice-presidente executivo da República e procurador-geral, afirma que tem problemas sérios de saúde, assim como econômico.

O diplomata, que denunciou em 7 de maio os graves problemas econômicos da embaixada, com dívidas que chegam a € 9 milhões, ratificou sua solidariedade a Maduro pela luta contra "as agressões de um império em declínio".

"Com fé absoluta me aferro ao chavismo, como uma prancha neste oceano de contradições que cerca seu governo", escreveu o embaixador. "Sua causa, que é a minha, me manteve como um campo de força, como um ímã ", explicou.

"Consegui, no entanto, a compreender definitivamente que não posso transformar água em vinho, nem ressuscitar os mortos. Muitos de seus discípulos têm muito poucos apóstolos e é quando todos nos perguntamos se é a Igreja ou Deus quem está falhando?", completou.

"Acreditem que me sinto orgulhoso de ter sido seu embaixador e seu companheiro e que, neste momento, sinto como se estivesse tirando uma das muitas contraturas que tenho (são três) na coluna", afirmou.

"Você não tem que aceitar ou reprovar esta carta. Vou torná-la pública porque é definitiva; Não é irrevogável porque nada é irrevogável na vida. É simplesmente definitiva, senhor Presidente. Não me veja ou considere vulnerável", escreve.

"Renuncio, Presidente, a minhas doses de insônia, estresse, aflição e às víboras com cabeça triangular que há muito tempo o acompanham", conclui. / AFP

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