Embaixador do Irã no Brasil trabalhará com Ahmadinejad

Em reconhecimento aos serviços prestados durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o atual embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shater Zadeh, retornará a Teerã para trabalhar com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Nos quatro anos de Brasil, Zadeh esteve diretamente envolvido na aproximação entre Lula e Ahmadinejad. Ele sai em meio ao rápido esfriamento da relação bilateral.

ROBERTO SIMON, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h02

O embaixador, porém, adota discurso oposto ao do porta-voz de Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, que acusou a presidente Dilma Rousseff de ter "destruído" a relação Brasil-Irã, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. "Dilma tem exatamente a mesma política que Lula", disse Zadeh. As diferenças entre os dois países, completou, são "apenas culturais". "O Brasil sabe da importância do Irã no Oriente Médio e nós sabemos da importância do Brasil no Ocidente."

O embaixador confirmou que trabalhará na presidência da república islâmica e disse que pretende retomar a carreira universitária. Ele será substituído pelo atual representante do Irã na África do Sul, Mohamad Ali Ghanezadeh Ezabadi, que já recebeu o agrément (reconhecimento como representante diplomático) do governo brasileiro.

Mesmo no governo Lula, no auge da aproximação com Teerã, Zadeh passou por momentos delicados no Brasil. Há cerca de dois anos, foi questionado pela subsecretária de assuntos políticos do Itamaraty, embaixadora Vera Machado, sobre a execução de líderes da seita baha'i, grupo perseguido no Irã. Ele respondeu que "todos" os baha'is - cerca de 150 mil fiéis em território iraniano - eram "espiões".

O governo brasileiro entende que o discurso crítico do Irã em relação a Dilma restringe-se ao grupo de Ahmadinejad e duvida que a cúpula da república islâmica passe a atacar publicamente o País. "A opinião do porta-voz de Ahmadinejad deve refletir a posição do presidente. É significativo, mas seria um problema real se partisse do porta-voz do líder supremo, Ali Khamenei", diz um membro do governo brasileiro. O poder no Irã é dividido entre vários órgãos de Estado, todos submetidos ao líder supremo.

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