Embaixador dos EUA ataca invasão de sigilo

Em São Paulo, Shannon diz que vazamento é tentativa de arruinar capacidade de governos de tomar decisões

Anne Warth / AGÊNCIA ESTADO,

11 de dezembro de 2010 | 05h29

O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, disse ontem que o vazamento de informações confidenciais feito pelo WikiLeaks foi uma "tentativa de ‘colapsar’ a capacidade dos governos de tomar decisões corretas". Ao visitar a sede da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP), Shannon afirmou que a iniciativa do site de divulgar documentos secretos foi "perigosa".

Para o embaixador, todas as pessoas, organizações e governos precisam de espaço de confidencialidade. Ele questionou os benefícios de uma política de transparência total e comparou a divulgação de informações confidenciais de um governo às da vida particular de cada cidadão. "Estamos trabalhando num mundo pós-WikiLeaks. Eu poderia perguntar a todos vocês o que achariam se alguém batesse em sua porta para dizer que tem gravações de todas suas conversas com sua mulher e está disposto a publicá-las. Vocês pensariam que essa transparência é algo útil ou ruim?", questionou. Na avaliação de Shannon, o colapso da confidencialidade limita a capacidade de tomar decisões e realizar ações com êxito.

O embaixador disse ainda que a intenção do governo dos EUA, ao manter informações sob sigilo, é promover o bem-estar do povo.

Shannon afirmou que a quantidade de informações sigilosas é muito pequena em comparação com aquilo que é divulgado. Ele disse ainda que o direito à confidencialidade não representa uma ameaça à liberdade de imprensa e de expressão.

Shannon também foi questionado sobre a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na quinta-feira prestou solidariedade ao australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks. O embaixador evitou causar mais polêmica sobre a questão e afirmou que a atribuição da culpa, nesse caso, será determinada pela Justiça dos EUA, da Grã-Bretanha e da Suécia. Na avaliação do diplomata, o vazamento de documentos não afetará as relações com o Brasil. "Vamos sair desse episódio com uma relação mais forte do que antes."

Críticas. O embaixador também criticou o reconhecimento, por parte do Brasil, das fronteiras do Estado palestino anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. De acordo com ele, a decisão do governo brasileiro foi "prematura". Mas Shannon reconheceu que o Brasil é um país soberano e tem o direito de reconhecer os países que quiser.

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