Embaixador dos EUA critica ação de militares rebeldes

O embaixador dos EUA, Charles Shapiro, qualificou o envolvimento de militares da Venezuela na política doméstica de "ultrajante", mas lembrou que essa intromissão começou com a tentativa de golpe de Estado do atual presidente Hugo Chávez, em 1992. Na quarta-feira, o secretário-geral da OEA, César Gaviria, condenou a presença de oficiais militares num protesto anti-Chávez numa praça de Caracas. Gaviria sugeriu que os manifestantes - que exigem que o mandatário submeta seu governo esquerdista de três anos a um referendo - deveriam deixar as Forças Armadas ou a política. Mas Shapiro destacou que a oposição não inventou o estilo de ativismo dos militares. "Para mim, isto é ultrajante, e vem acontecendo desde 1992 até hoje", disse Shapiro em uma entrevista à imprensa, referindo-se ao ano em que Chávez, então tenente-coronel do Exército, tentou derrubar o então presidente Carlos Andrés Pérez. Comentou que uma coisa é a vida militar e outra, a política. O diplomata defendeu os protestos que centenas de manifestantes vêm realizando há 10 dias na praça Francia, em Caracas, localizada num próspero bairro da capital venezuelana. "É um protesto pacífico e os cidadãos têm o direito de se manifestar", disse. Shapiro também expressou que os EUA apóiam totalmente as gestões de paz promovidas por Gaviria, que desde domingo se encontra em Caracas facilitando a formação de uma mesa de diálogo para que o governo negocie diretamente com os setores da oposição.

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