Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Embaixador dos EUA muda depoimento e admite conflito de interesses com a Ucrânia

Gordon Sondland já havia testemunhado em outubro; agora, ele admite que sabia das intenções de Trump e que corroborou com pressão sob a Ucrânia para encaminhar investigação sobre Joe Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 19h43

WASHINGTON - O embaixador dos Estados Unidos para a União Europeia, Gordon Sondland, mudou seu depoimento no inquérito do impeachment do presidente Donald Trump e confirmou que houve conflito de interesses no acordo com a Ucrânia.

Sondland disse que sabia do congelamento de quase US$ 400 milhões em ajuda militar feita pelo governo Trump, enquanto pressionava a Ucrânia a investigar um dos seus principais rivais políticos, indicou um trecho do novo depoimento divulgado nesta terça-feira, 5.

Recuando do depoimento inicial, feito no mês passado, Sondland afirmou ter dito a um conselheiro presidencial da Ucrânia que “a retomada do auxílio dos EUA provavelmente não ocorreria, até que a Ucrânia fornecesse o depoimento público anticorrupção que nós discutimos por muitas semanas”.

O embaixador acrescentou que até o início de setembro, “na ausência de uma explicação crível para a suspensão do auxílio, eu presumi que a suspensão da ajuda havia sido ligada ao argumento anticorrupção”. Sondland entregou seu depoimento suplementar de quatro páginas por escrito na segunda-feira, depois de outros funcionários do governo terem feito o mesmo.

Ele confessou considerar o congelamento da verba para a Ucrânia como “imprudente”, mesmo sem ter os detalhes de “quando, por que ou por quem a ajuda foi suspensa”. 

Os democratas responsáveis pelo encaminhamento do inquérito do impeachment na Câmara dos Deputados também divulgaram nesta terça o depoimento de Kurt Volker, o ex-representante especial dos EUA para negociações com a Ucrânia.

Testemunhas afirmaram em depoimentos que Volker e Sondland, juntamente com o secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, eram conhecidos como os “três amigos”, responsáveis pelo canal não oficial de Trump com oficiais do governo ucraniano. 

Volker renunciou em setembro. Ele depôs às comissões de Assuntos Exteriores, Inteligência e Vigilância da Câmara por mais de oito horas no dia 3. Sondland testemunhou no dia 17. Perry, ex-governador do Texas, disse que deve renunciar de seu gabinete até 1 de dezembro; ele rejeitou a depor até o momento. 

A mudança de discurso de Sondland é significativa para o inquérito do impeachment de Trump. Em outubro, ele havia afirmado ter escrito ao diplomata americano na Ucrânia, William Taylor, que Trump havia sido claro de que não havia conflito de interesses entre o empréstimo e a investigação referente ao ex-vice-presidente Joe Biden.

Mas disse que somente estava repetindo o pedido de Trump, deixando em aberto se de fato sabia dos detalhes da negociação, ou mesmo se concordava com Trump. 

Biden é pré-candidato democrata para a eleição presidencial de 2020. Seu filho, Hunter Biden, compôs o conselho de uma empresa de gás natural ucraniana investigada por corrupção.

O inquérito do impeachment de Trump foi aberto após uma denúncia anônima de um funcionário da inteligência da Casa Branca ter revelado que o presidente americano, em telefonema ao presidente ucraniano Volodmir Zelenski, em julho, pressionou para que a Ucrânia encaminhasse as investigações em relação aos Bidens no país. O auxílio financeiro dos EUA, na época congelado, foi liberado dias depois da ligação.  / REUTERS e NYT

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