Embaixador dos EUA se diz pronto para conversas com Teerã

O Embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, em entrevista à agência Associated Press, afirmou nesta sexta-feira já haver discussões para definir quando ele se encontrará com oficiais iranianos para examinar a questão do Iraque. As reuniões devem acontecer em Bagdá. Além das acusações feitas por Washington de que o Irã está construindo um programa nuclear bélico, os Estados Unidos acusaram Teerã de intrometer-se em assuntos iraquianos enquanto o país luta para superar a insurgência e a campanha terrorista da Al-Qaeda. Khalilzad exerce um papel importante no país forçando políticos iraquianos a começar sérias negociações para a formação do novo governo. Na quarta-feira, o político xiita Abdul-Aziz al-Hakim, que passou anos em exílio no Irã durante o regime de Saddam Hussein, convocou Teerã para que iniciasse conversas com os Estados Unidos sobre o Iraque. Um dia depois, o Irã afirmou estar disposto a conversar, mas o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, disse a repórteres que qualquer reunião com os Estados Unidos se limitaria a assuntos iraquianos. Larijani disse que Khalilzad convidou Teerã repetidas vezes para conversas sobre o Iraque. Khalilzad negou ter escrito ou falado com oficiais iranianos sobre as reuniões, mas concordou que elas devem se limitar à política iraniana referente ao Iraque. O embaixador dos Estados Unidos também afirmou que a comunidade internacional, particularmente os Estados árabes no Golfo Pérsico, devem ajudar a reconstruir o Iraque pois eles têm "muito em jogo". "Eles (os estados do Golfo) estão se saindo muito bem graças aos altos preços do petróleo. Esperamos que ajudem a construir um governo com unidade nacional (no Iraque)". A formação deste governo ainda está longe da realidade, apesar de o novo Parlamento iraquiano ter realizado sua primeira sessão na quinta-feira. Os legisladores se reuniram por 40 minutos para realizar o juramento e depois interromperam a sessão pois não haviam concordado sobre o orador para presidir as sessões. A tarefa é ainda mais difícil quando se trata de escolher um presidente, um primeiro-ministro ou um gabinete."Há muito desentendimento sobre o primeiro-ministro. Existem forças dentro da Aliança Iraquiana Unificada, que quer Al-Jaafari como o próximo premier, e existem forças dentro e fora da Aliança que não querem." explicou Khalilzad Ele também sugeriu que o primeiro ministro xiita Ibrahim al-Jaafari não é a figura unificadora que o país precisa para liderar o novo governo. "O mais importante é que o primeiro-ministro seja alguém que consiga unificar o Iraque, os vários grupos étnicos e sectários".

Agencia Estado,

17 Março 2006 | 13h09

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