Embaixador iraniano afirma que Israel é a ameaça à paz

O embaixador iraniano nas Filipinas, Jalal Kalantari, disse nesta sexta-feira que a única ameaça à paz e à segurança no Oriente Médio é Israel, que "desenvolveu e produziu armas de destruição em massa".Em entrevista coletiva por ocasião do 28º aniversário da Revolução Islâmica, o diplomata iraniano defendeu a postura do Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que disse na quinta-feira que o país atingirá os interesses americanos em todo o mundo se for atacado.O Irã se defenderá de qualquer ataque procedente de outra nação "porque é nosso direito, como qualquer outro país", afirmou o embaixador. Kalantari acrescentou, no entanto, que espera que ninguém ataque o Irã, pois a resposta será "decisiva e firme"."Acreditamos que qualquer país que estiver pensando nisso" desistirá, disse, citando Estados Unidos e Israel, pois, caso contrário, "ninguém ficaria de braços cruzados", e o Irã, "sem dúvida alguma, atacará se for atacado"."Não ameaçamos ninguém, nunca ameaçamos usar a força contra nenhum membro das Nações Unidas, mas EUA e Israel fazem isso", ressaltou.Durante um encontro com correspondentes estrangeiros para comemorar o 28º aniversário da Revolução Islâmica e explicar a posição do Irã sobre a polêmica nuclear, Kalantari insistiu no "direito inalienável" do povo e do Governo iranianos a ter acesso à energia nuclear com fins pacíficos.Segundo Kalantari, o Irã é o único país-membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) que adotou "voluntariamente" o protocolo adicional e que autoriza inspeções não-anunciadas das instalações por especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).Além disso, Kalantari destacou que as autoridades iranianas recentemente convidaram diplomatas e jornalistas estrangeiros a visitar estes lugares para enfatizar a transparência de suas intenções."Há algum outro país que abra suas instalações nucleares às câmeras e aos repórteres?", perguntou o embaixador, quando um jornalista pediu sua opinião em relação a como a comunidade internacional administrou de forma tão distinta a crise nuclear com a Coréia do Norte.Na sua opinião, a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro, que impõe sanções financeiras e tecnológicas ao Irã se não suspender seu programa de enriquecimento de urânio, foi um "erro histórico" e deslegitimou o próprio TNP e a AIEA.Kalantari afirmou que a iniciativa "foi mais uma tentativa de impedir que o Irã use seu direito inalienável à energia nuclear para fins pacíficos" por supostas razões de segurança, ao afirmar que Israel é "a única ameaça à paz e à segurança" no Oriente Médio.

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