Embaixador israelense se irrita em sessão especial na ONU

O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Dan Gillerman, retirou-se nesta sexta-feira, 17, de uma sessão especial da Assembléia Geral da ONU em protesto contra a "surdez" dos membros presentes na reunião, informou o site israelense Haaretz. A sessão foi agendada para discutir uma condenação ao bombardeio promovido pelas Forças de Defesa Israelenses em Beit Hanun, na semana passada, que deixou 20 palestinos mortos. Espera-se que a resolução seja aprovada pela maioria dos votantes. Gillerman justificou sua brusca saída dizendo que parecia que estava conversando com as paredes. Para ele, era mais produtivo convocar uma coletiva de imprensa. "(A sessão) foi uma humilhação e uma cínica exploração da ONU. Dar as mãos a essa decisão é como dar as mãos ao terror", completou. O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, alertou os Estados membros sobre os perigos da aprovação da proposta dizendo que ela poderá minar a relevância da organização. "Tal decisão irá apenas fortalecer as freqüentes dúvidas relativas à ONU, e levará muitos a concluir que a organização global não consegue ter um papel na região", disse Bolton. Ele chamou de "unilateral" a resolução e acrescentou que sua aprovação deverá apenas "aumentar a tensão e servir aos interesses daqueles que são hostis a Israel e que não aceitam o direito de Israel existir". Bolton também atacou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que na quarta pediu a abertura de um inquérito a respeito do bombardeio a Beit Hanun. "Desde o começo, o novo Conselho de Direitos Humanos focou apenas em Israel, ignorando completamente os abusos aos direitos humanos em Darfur, Burma e Coréia do Norte." Já o representante da Autoridade Palestina na ONU, Riad Mansour, pediu que os "criminosos de guerra israelenses" sejam julgados pelo bombardeio. Abrandamento da pena Estados europeus estão atualmente juntando esforços para abrandar a condenação proposta. A medida original, apresentada por Estados árabes, pedia um "mecanismo internacional" para proteger os residentes da Faixa de Gaza. A medida também incluía uma cláusula que pedia ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que enviasse um "grupo de investigadores" a Beit Hanun com o objetivo de conduzir um inquérito sobre o bombardeio. Os Estados europeus conseguiram alterar a linguagem da proposta, substituindo alguns trechos e adicionando outras cláusulas - como o fim dos ataques palestinos com mísseis Qassam contra comunidades israelenses ao longo da Faixa de Gaza. Mesmo assim oficiais israelenses disseram que continuarão rejeitando publicamente qualquer condenação.

Agencia Estado,

17 Novembro 2006 | 21h04

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