Embaixador marfinense na ONU alerta contra genocídio

O recém indicado embaixador da Costa do Marfim na Organização das Nações Unidas (ONU), Youssoufou Bamba, disse que seu país está "à beira de um genocídio", segundo informa o site da rede britânica BBC. Bamba afirmou que violações aos direitos humanos acontecem em larga escala no país como resultado da agitação política.

AE, Agência Estado

30 de dezembro de 2010 | 13h52

A comunidade internacional e a maioria dos líderes africanos reconhecem Alassane Ouattara como o vencedor do segundo turno da eleição presidencial, realizado em 28 de novembro. Mas Laurent Gbagbo recusa-se a deixar o cargo e afirma que saiu vitorioso da disputa. O atual presidente está no poder há dez anos e tem o apoio da maior parte do Exército, apesar da pressão internacional. Ele e seus familiares são alvo de sanções econômicas e de locomoção.

Bamba, que foi indicado por Ouattara, foi formalmente recebido na sede da ONU em Nova York ontem. Em coletiva de imprensa, o embaixador disse que Ouattara foi eleito durante uma "eleição livre, justa, transparente e democrática". "Para mim, o debate está acabado. Agora estamos falando sobre como e quando o senhor Gbagbo vai deixar o cargo", disse ele. "Achamos que isso é injustificável. Assim, uma das mensagens que tento passar durante as conversações que realizei até agora é que estamos à beira de um genocídio."

A ONU acusou hoje as forças de segurança ligadas a Gbagbo de impedir o acesso a valas comuns. Investigadores da organização acreditam que cerca de 80 corpos estão no interior de um prédio cujo acesso aos funcionários foi impedido. O governo de Gbagbo negou repetidas vezes a existência de tais valas e o ministro do Interior foi à televisão para desmentir as acusações.

Simon Munzu, chefe da divisão de direitos humanos da ONU, pediu às forças de segurança que permitam a realização das investigações. "Nós seríamos os primeiros a dizer que essas teorias são falsas se elas se provarem falsas", disse Munzu. "Nossas descobertas sobre a questão e seu anúncio para todo o mundo teriam uma chance maior de receber crédito do que suas repetidas negativas."

Grupos de direitos humanos acusam as forças de segurança de Gbagbo de sequestrar e torturar opositores políticos desde o segundo turno da eleição. Investigadores da ONU citam dezenas de relatos de casos de desaparecimento e quase 500 prisões. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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