DIDA SAMPAIO/ESTADAO
DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Embaixador sul-coreano diz acreditar em Kim

Para diplomata, regime norte-coreano concluiu que arsenal nuclear não é a melhor forma de garantir sua segurança

Lu Aiko Otta / Brasília, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2018 | 21h02

Em meio à desconfiança sobre a real intenção do ditador norte-coreano, Kim Jong-un, de destruir seu arsenal nuclear, há otimistas que veem hoje circunstâncias diferentes das existentes em outras negociações fracassadas. 

É o caso do embaixador sul-coreano no Brasil, Kim Chan-woo. Ele acredita nas promessas de eliminação do arsenal nuclear pela Coreia do Norte porque o regime buscaria uma normalização de suas relações com o mundo. “Imaginamos que hoje ele vislumbre que a manutenção de armas nucleares não é a melhor forma de se assegurar no cenário internacional”, disse ao Estado.

+ EUA querem Kim sem maior parte de arsenal até 2020

“A Coreia do Norte precisa buscar a normalidade de suas relações com todos os países”, comentou. Por essa razão, Kim teria concordado em encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira, em Cingapura. “Não é possível postergar indefinidamente essa situação anormal em que está há 70 anos, de divisão e conflito com os Estados Unidos.”

Pelo mesmo motivo, Kim havia se encontrado com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em abril, e já naquela ocasião prometido a destruição das armas nucleares. No momento, as duas Coreias trabalham para um acordo de paz definitivo. Neste ano, pretendem discutir o armistício que, em 1953, apenas suspendeu a guerra entre os dois países.

“A desnuclearização da Península Coreana é o principal objetivo”, afirmou o diplomata, ao comentar aquilo que, segundo observadores, poderia ser um ponto de ressalva de Seul ao acordo entre Trump e Kim: a promessa dos EUA de suspender os exercícios militares na Coreia do Sul. Isso porque a presença americana funciona como um “guarda-chuva” de segurança. 

O acordo entre Trump e Kim merece crédito, apesar da imprevisibilidade do comportamento de ambos os líderes, porque foi assinado num encontro que teve toda a comunidade internacional como testemunha, diz o diplomata. “À parte a personalidade do presidente Trump – e também do presidente Kim, que em termos de personalidade não é muito diferente –, o que podemos verificar é que os dois tiveram uma coragem muito grande para tomar esse passo”, avaliou Kim Chan-woo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.