Embaixadora da Síria na França renuncia em protesto à violência

A TV estatal de Damasco, contudo, desmentiu a informação, divulgada pela TV France 24

estadão.com.br,

07 de junho de 2011 | 15h03

Atualizada às 16h47

 

Vídeo da France 24 mostra suposta entrevista da embaixadora, por telefone

 

PARIS - Segundo a TV estatal da Síria, a embaixadora do país na França, Lamia Shakour, teria negado nesta terça-feira, 7, que renunciou ao cargo. Mais cedo, a rede de TV France 24, de Paris, divulgou um vídeo com a voz de uma mulher identificada como Shakour e a foto da embaixadora. Em tom dramático, ela anunciava que deixaria o cargo.

 

De acordo com as declarações, que duraram um total de 43 segundos, Shakour teria decidido renunciar para não dar respaldo à violência. "Não posso mais continuar a apoiar o ciclo de violência extrema contra civis desarmados", disse. Ela teria ainda reconhecido "a legitimidade das exigências do povo (sírio) por mais democracia e liberdade".

 

Na suposta entrevista, ela ainda dizia não poder mais "ignorar todos os homens, mulheres e crianças que morreram". Ainda no vídeo da France 24, a diplomata diz que já teria informado "o secretário pessoal do presidente (Bashar al-Assad)" Ela conclui dizendo que a renúncia "entra em efeito imediatamente". A repressão aos protestos populares na Síria já deixou mais de mil mortos.

 

Caso tenha mesmo renunciado, Lamia Shakour será a primeira embaixadora do país a deixar o cargo desde o início dos confrontos entre manifestantes e as forças de Assad, em meados de março.

 

Desmentido 

 
Logo após a informação sobre a renúncia de Shakour, havia informações não confirmadas de que a Embaixada da Síria em Paris teria confirmado a decisão da diplomata. Mas, segundo a Efe, o governo sírio, por meio da TV estatal, se apressou a desmentir a informação "em várias notas" enviadas à imprensa.

 

Em uma dessas notas, de acordo com a agência, há uma outra voz feminina, que a TV estatal da Síria atribui a Shakour. "Digo a todos os que me escutam que eu me sinto orgulhosa porque os filhos da pátria não (a) podem trair dessa maneira flagrente".

 

A TV estatal da Síria teria ainda acrescentado, segundo a Efe, que Shakour se queixou sobre a notícia de sua renúncia divulgada "por alguns canais de televisão". Ela teria dito que se trata de uma campanha mal-intencionada que o país sofre, sem mencionar quem estaria por trás. A TV disse que a Embaixadora deve processar "todos os que tenham cometido esse delito". O dinheiro "das multas", dizem, "vai para os mártires".

 

Número de telefone

 

Em informação veiculada no começo da tarde deste terça em seu site, a rede France 24 disse que o canal conversou com a embaixadora anteriormente usando o mesmo número de telefone que foi utilizado desta vez, dando a entender que a entrevista na qual Shakour teria renunciado seria autêntica.

 

"Logo após o anúncio (feito) na France 24, a Reuters informou que a Embaixada síria tinha confirmado que Shakour tinha deixado o cargo e que ela não faria mais nenhum comentário", informou a rede.

 

Militar

 

Em um vídeo divulgado mais cedo nesta terça-feira, um militar sírio também renunciou. Ele se identificou como Abdel Razaq Tlas e disse que deixaria as forças armadas do país em protesto contra "os crimes" cometidos contra a população civil. Ele disse ter sido testemunha de "cimes, assassinatos e massacres" cometidos por soldados contra cidadãos e manifestantes em diversas áreas do país.

 

No vídeo, segundo a Efe, ele explicava que tinha decidido servir no Exército com o objetivo de proteger o povo do "inimigo israelense", e não para lutar contra civis. "Depois dos crimes que vi em Deraa (cidade no sul da Síria), e em toda a Síria, não posso continuar no Exército", afirmou ele no vídeo divulgado pela rede de TV Al Jazira. Nas imagens, ele aparece com uniforme militar.

 

O vídeo foi anunciado na Al Jazira como uma "transmissão especial", mas a rede do Catar não deu detalhes sobre a origem das imagens. No vídeo, Tlas convocou outros soldados a também abandonar o Exército. A gravação foi divulgada um dia depois da morte de pelo menos 120 pessoas, entre eles dezenas de policiais sírios, em uma "emboscada de guerrilhas armadas", segundo a TV estatal.

 

Com Reuters, AP e Efe

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