Eliana Aponte/ Reuters
Eliana Aponte/ Reuters

Embaixadora do México deixa a Bolívia após ser expulsa do país

Comitiva da Espanha também foi 'convidada' a ser retirar de La Paz; governo de Áñez pede para que nações respeitem a sua 'soberania'

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2020 | 05h31

A embaixadora do México deixou a Bolívia na última terça-feira, 31, informou o chefe da polícia local. Nenhum incidente foi registrado no momento em que a diplomata deixou o país. Momentos após, a comitiva enviada pela Espanha, também foi expulsa pelo governo interino de Jeanine Áñez.

Antonio Montero, chefe da Polícia Militar de La Paz, disse que "nenhum incidente foi registrado" durante a sua saída. Era temido pelas autoridades, que os vizinhos que moram nos arredores da residência, fizessem algum tipo de protesto.

Antes de sair, María Teresa Mercado escreveu em sua conta no Twitter, que estava "orgulhosa de servir" seu país, e que não se arrependia "de seus princípios e tradição de asilo". A embaixadora também agradeceu as palavras do chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, que elogiou seu trabalho à frente da delegação diplomática em La Paz.  

Vale lembrar que na residência de Mercado, estão refugiados de nove a dez colaboradores de Evo Morales, que buscaram asilo no local, desde que o ex-presidente foi forçado a renunciar em 10 de novembro, sob a acusação de fraude eleitoral. Segundo o governo boliviano, este teria sido o motivo de sua expulsão.

Integra o grupo o ex-ministro Juan Ramón Quintana, braço direito de Morales desde que este chegou ao poder, em 2006. Ele é acusado de "sedição e terrorismo". Todos os demais asilados também são investigados pelos mesmos delitos. Enquanto isso, La Paz tem negado os seus inúmeros pedidos para deixar o país.  

No entanto, as relações boliviano-mexicanas estão deterioradas desde que o governo de Andrés Manuel López Obrador, decidiu dar asilo a Morales e outros funcionários de seu governo. O ex-presidente, de 60 anos, viajou em 12 de dezembro para a Argentina, onde pediu refúgio.  

 

Espanhóis também foram expulsos da Bolívia

A União Europeia (UE) pediu na última terça-feira, uma redução das tensões, após o que chamou de decisão "hostil" do governo interino da Bolívia, de expulsar diplomatas espanhóis após uma polêmica visita à embaixada do México, na segunda-feira, 30.

"A expulsão de diplomatas é uma medida extrema e hostil que deve ser reservada a situações graves", reagiu a delegação da UE em La Paz. Depois, eles invocaram o cumprimento das normas diplomáticas internacionais, "para reduzir a tensão" produzida.  

Ao todo, a Bolívia expulsou a encarregada de negócios, Cristina Borreguero, o cônsul, Álvaro Fernández, e um grupo de funcionários de segurança enviados pela Espanha que, segundo La Paz, teriam chegado ao local "encapuzados e supostamente armados".  

Segundo o governo interino de Áñez, a visita dos espanhóis à residência mexicana teria como finalidade evacuar o ex-ministro Quintana. A Espanha negou categoricamente a existência de um plano para facilitar esta saída e assegurou que a visita foi uma cortesia.  

Após a expulsão de seus representantes, Madri também expulsou três diplomatas bolivianos. Eles tem até o dia 2 deste mês para deixar o território espanhol.  

 

A Bolívia pede respeito

Em meio às críticas contra a Bolívia, o ministro da Presidência, Yerko Núñez, pediu aos países que respeitem sua soberania, pois considera que a atitude dos funcionários espanhóis e mexicanos viola normas da diplomacia internacional, como a Convenção de Viena.  

"Vamos buscar boas relações com países irmãos, como Espanha e México, mas não compartilhamos a defesa de quem tem processos na justiça", disse a autoridade. Ele ainda acrescentou que "assim como nós respeitamos outros países, queremos que respeitem a soberania da Bolívia".  

Áñez disse na segunda-feira, 30, ao anunciar a expulsão dos diplomatas, que a Bolívia "não é mais colônia de ninguém". Nos arredores da embaixada do México, em um bairro abastado na zona sul de La Paz, a AFP constatou que uma patrulha de vigilância continua revistando os veículos que entram no condomínio privado.

Um grupo de ativistas civis também se dedicam a controlar quem entra no local, com o temor de que possa ocorrer a qualquer momento, a fuga dos refugiados. Eles instalaram barracas de lona e plástico e dizem que vão permanecer no local durante as 24 horas do dia./ AFP

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