Embaixadora dos EUA na ONU se tornará conselheira de Obama

Presidente Barack Obama nomeará Susan Rice como assessora de Segurança Nacional na metade do ano

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h07

Susan Rice, embaixadora dos EUA na ONU, perdeu a chance de se tornar secretária de Estado no segundo mandato de Barack Obama, mas assumirá, na metade do ano, o cargo de conselheira de Segurança Nacional do presidente. A informação foi vazada ontem pela Casa Branca.

Rice deverá substituir Tom Donilon, depois de os EUA assumirem a presidência do Conselho de Segurança da ONU, em julho. O destino de Donilon não está definido nem quem será o sucessor de Rice na ONU. Ela é uma das pessoas do núcleo de confiança de Obama, que tinha para ela planos mais ambiciosos e visíveis.

Sua nomeação para o Departamento de Estado ocorreu logo após a reeleição de Obama, em 6 de novembro, mas ela rapidamente perdeu espaço após os ataques em Benghazi. Na ocasião, ela deu declarações, repetidas em cinco canais de TV, de que ação contra o consulado americano havia sido resultado de uma manifestação popular contra a um filme anti-islâmico nos EUA.

O governo Obama, mais tarde, admitiu que a ação foi um ataque terrorista em que foram mortos o embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e outros três funcionários do Departamento de Estado. Outros obstáculos foram os investimentos financeiros de Rice, algumas decisões controvertidas sobre a relação dos EUA com Uganda e Ruanda e seu temperamento difícil.

No Comitê de Relações Exteriores do Senado, a resistência mais visível foi da oposição republicana, especialmente dos senadores John McCain e Lindsay Graham. Parte dos democratas tampouco apoiou a escolha de Obama.

Desistência. Rice fez ainda uma tentativa de contornar a situação ao reunir-se com senadores republicanos no final de novembro. McCain saiu do encontro dizendo-se "ainda mais atordoado". Sem chances, a Casa Branca desistiu. A segunda opção foi o senador democrata John Kerry, atual secretário de Estado.

Rice serviu de maneira exemplar nas Nações Unidas. No entanto, enquanto defendia a imposição de mais sanções contra o Irã, mantinha investimentos em ações da Shell, que deve US$ 1 bilhão a companhias iranianas. Ela e seu marido, o empresário Ian Cameron, também possuem ações na ENI, petroleira italiana que tem permissão para explorar no Irã, e na Trans Canada, autora do projeto de construção de um gasoduto nos EUA - o projeto foi suspenso por razões ambientais.

Susan Elizabeth Rice, 48 anos, mãe de duas crianças, é uma das referências quando se trata de negros de classe média alta nos EUA. Seu pai, Emmett Rice, era professor de economia da Universidade Cornell, trabalhou no Banco Mundial e atuou na direção do Federal Reserve (banco central americano) por sete anos. Ela estudou em escolas privadas de Washington - um privilégio em razão do elevado custo - e formou-se na Universidade Stanford e no New College, de Oxford.

Deslizes. Sua carreira em diplomacia começou em 1993, quando fez parte do Conselho de Segurança Nacional durante o governo de Bill Clinton. Entre 1995 e 1997, ela foi assistente especial do presidente e diretora de assuntos africanos. Em 1994, ela defendeu que o termo "genocídio" era adequado para designar o massacre de cerca de 800 mil pessoas em Ruanda.

Em novembro, enquanto lutava por sua nomeação, Rice impediu a menção do apoio de Uganda e Ruanda ao grupo rebelde M23, responsável pelo conflito na República Democrática do Congo, em uma declaração feita no Conselho de Segurança da ONU.

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