Embaixadora dos EUA tenta legitimar ataque ao Iraque

A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, tentou hoje legitimar uma eventual decisão do governo norte-americano de atacar o Iraque. ?O processo está em consulta para que as pessoas entendam a ameaça que Saddam Hussein representa ao mundo?, disse em entrevista coletiva, se referindo ao processo de consultas a países aliados. Ela lembrou que o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, declarou ontem apoio a posição dos EUA. ?Se preciso, os Estados Unidos e a Inglaterra estão prontos para apresentar provas que demonstram a ameaça de Saddam Hussein para a sua região e para o mundo?, disse. ?Mas em última análise o presidente Bush que vai decidir?, acrescentou.Acuada pelas perguntas dos jornalistas sobre a atitude unilateralista dos Estados Unidos, Hrinak disse que a experiência do passado, em 1991, quando o governo norte-americano atacou o Iraque, demonstra justamente o contrário: que os Estados Unidos estão buscando coligações para fazer uma ofensiva ao Iraque. ?Essas semanas estão sendo de debates. Não é certo que estamos agindo unilateralmente?, afirmou. Depois de muito pressionada pelos jornalistas, Donna Hrinak afirmou que os EUA estão tentando também ?mover as Nações Unidas?.?É responsabilidade do mundo proteger suas cidadanias. Os governos teriam que responder depois porque não agiram?, tentou justificar. Segundo ela, é preciso combater os países que protegem os terroristas e avisou que a guerra contra o terrorismo deve ser longa. A embaixadora admitiu, no entanto, que foi um equívoco o apoio norte-americano no passado a Saddam Hussein e Bin Laden. ?Fizemos erros no passado. Então seguir com esses erros é correto??, perguntou, referindo-se ao apoio que Bin Laden recebeu do governo norte-americano durante a invasão da Rússia ao Afeganistão.Agenda para a América Latina A embaixadora afirmou que o governo norte-americano pretende retomar a agenda hemisférica, assinada na Cúpula de Miami em 1994. Donna afirmou que a agenda da América Latina ficou prejudicada após o ataque terrorista de 11 de setembro, no ano passado. Mas afirmou que Bush deve voltar a se dedicar a integração hemisférica. ?É um erro sairmos da agenda?, disse. A Cúpula de Miami definiu a criação da Área de Livre Comércio (Alca) e tratou de temas como segurança, meio-ambiente, proteção aos direitos da mulher e criação de novas fontes de energia.Segundo ela, Brasil e Estados Unidos, ao assumirem a co-presidência das negociações para a criação da Alca, em novembro, terão que definir de que forma irão liderar as discussões sobre a integração hemisférica. Ela disse, no entanto, que essa decisão terá que ser tomada em conjunto com presidente brasileiro que será eleito no próximo mês. Ela negou que estejam havendo discussões bilaterais entre Brasil e EUA para um acordo comercial. ?Por agora, estamos falando do acordo multilateral da Alca?, garantiu.Em relação as barreiras protecionistas impostas pelo governo norte-americano, Donna disse que estão sendo discutidas formas de reduzir estas barreiras mas lembrou que Brasil e EUA estão juntos na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios da União Européia e do Japão, ?que são mais altos que dos EUA?.Atentado de 11 de setembroA embaixadora dos Estados Unidos no Brasil disse ainda que o ataque terrorista de 11 de setembro suscitou uma série de perguntas que o governo norte-americano ainda não conseguiu responder. Segundo ela, ainda não foi encontrada uma fórmula que permita manter um equilíbrio entre a liberdade e a segurança dos cidadãos. Também ainda não foi tomada uma decisão sobre como receber os imigrantes no país sem que eles representem uma ameaça. ?O que eu acho de extraordinário no meu país é a transparência e o valor que é dado à liberdade. Os terroristas usaram nossos pontos positivos como armas contra nós. Isto foi um choque?, disse.A embaixadora afirmou que os EUA têm interesse em manter o turismo e estudantes de outras nações mas ainda não sabe como. Segundo ela, o prazo para concessão de vistos está mais longo depois de 11 de setembro. Hrinak acredita que o ataque foi contra o mundo, e não apenas contra os norte-americanos. ? Noventa países perderam cidadãos?, disse. Ela informou que 160 países já bloquearam US$ 100 milhões de contas atribuídas a terroristas. Para Donna, o montante é uma fortuna considerando que o ataque de 11 de setembro foi organizado com US$ 500 mil.Ela acredita também que a assistência humanitária ao povo afegão é uma resposta internacional contra o terrorismo. ?No cenário internacional temos a pergunta de como evitar outro ataque desse tipo no futuro?, afirmou. ?Os extremistas se aproveitam da falta de esperança no mundo inteiro. Temos que ajudar estas pessoas a voltarem a ter esperança?, disse.

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