Embaixadora vê Brasil mais perto de vaga permanente em Conselho da ONU

Maria Luiza Viotti disse crer que posição rotativa contribuirá para aspiração.

Bruno Garcez, BBC

15 de outubro de 2009 | 21h54

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, disse acreditar que a conquista de um acento rotativo pelo Brasil no Conselho de Segurança da ONU deixa o país mais perto da tão aspirada vaga permanente no Conselho.

''Nossa atuação pode contribuir para a percepção de que a presença do Brasil no Conselho contribuiria para que ele seja visto como mais eficaz, mais legítimo e representativo'', disse.

O Brasil foi eleito nesta quinta-feira por 182 votos para uma vaga não-permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Um total de 183 entre os 192 países que integram a ONU participaram da votação. Os representantes das diferentes nações podiam votar em seus próprios países.

A Venezuela obteve um único voto, o que a impediu de conquistar um acento rotativo no Conselho.

Esta é a décima vez que o Brasil conquista uma vaga não-permanente no Conselho e a segunda no mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A embaixadora Maria Luisa Viotti será a primeira mulher a comandar o Brasil no Conselho de Segurança.

Mediação

No entender de Viotti, o país também reforça o seu pleito por uma vaga permanente graças ao seu papel como mediador em diferentes regiões e conflitos internacionais.

"A nossa credencial é de um país que pode desempenhar um papel de diálogo, de mediação. O Brasil exerce uma interlocução muito ampla. Não só na nossa região, mas também no Oriente Médio'', afirmou a embaixadora.

Oriente Médio

O Brasil está adotando uma posição conciliadora em uma polêmica ligada ao relatório sobre supostos abusos cometidos pelas forças de Israel durante a ação militar contra a Faixa de Gaza, no início deste ano.

Nesta segunda-feira, o Brasil defendeu , em uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, a adoção parcial das recomendações contidas no documento produzido a partir das investigações sobre o a incursão militar israelense.

O documento, endossado pelo Brasil, acusa Israel e grupos armados palestinos de crimes de guerra.

Mas a posição brasileira é a de que o documento não deveria ser enviado para o Conselho de Segurança e nem para o Tribunal Penal Internacional, porque isso poderia ameaçar as negociações de paz na região.

Os representantes da Autoridade Palestina defendem a aprovação integral do relatório. Em discurso realizado na ONU, a embaixadora Maria Luiza Viotti sintetizou a posição brasileira, ao dizer que a prioridade deve ser tentar dar sustentabilidade às negociações entre israelenses e palestinos.

'Lula quer, Lula consegue'

Para Peter Hakim, presidente do instituto de pesquisas políticas Inter American Dialogue, com a presença no Conselho de Segurança, ainda que de forma rotativa, o país dá o ''primeiro passo'' rumo ao objetivo de se tornar um membro permanente.

"O que Lula quer, Lula consegue. O Brasil é um dos países mais queridos internacionalmente'', afirmou ele à BBC Brasil.

Mas Hakim acredita que há entraves à aspiração brasileira vinda de diferentes países.

México e Argentina defendem uma posição rotativa no Conselho de Segurança para diferentes países latino-americanos.

A China, outro membro permanente do Conselho, teria simpatia pela pretensão brasileira, mas não quer uma ampliação do órgão que contemple o Japão.

Os dois europeus que são membros permanentes do conselho, França e Grã-Bretanha, vêem com receios a ampliação porque não gostariam que a Alemanha pudesse ser contemplada com uma vaga permanente. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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