Embaixadores discutem novo governo para o Afeganistão

Um dia após o início do contra-ataque dos Estados Unidos aos terroristas no Afeganistão, a comunidade internacional já começa a buscar uma solução política para o país, em uma possível era pós-Taleban. Diplomatas dos Estados Unidos, Irã, Alemanha e Itália se reuniram em caráter de emergência em Genebra e, juntamente com representantes da ONU, iniciaram os debates sobre como poderá ser formado um futuro governo no Afeganistão, sem grupos extremistas. Os quatro países, conhecidos como Iniciativa de Genebra, se reúnem desde dezembro do ano passado sob a mediação de Francesco Vendrell, enviado especial do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao Afeganistão. Segundo uma fonte das Nações Unidas, o encontro foi marcado pela apresentação de um esboço de um projeto para a formação de um governo de transição no Afeganistão. "A ONU está engajada em promover a criação de um governo afegão representativo, multi-étnico e com uma ampla base de apoio", afirmou Annan em um comunicado de imprensa. Uma das idéias é de que a assembléia tradicional do Afeganistão, conhecida como Loya Jirga, fosse convocada com um possível enfraquecimento do controle do Taleban. "A assembléia seria formada pelos grupos pacifistas existentes dentro e fora do Afeganistão", afirmou um diplomata que participou da reunião. A assembléia contaria com a assistência internacional e o objetivo seria preparar o país para eleições. Outra possibilidade seria reunir a assembléia, com cerca de 120 membros, fora do Afeganistão, o que possibilitaria a presença do rei deposto Zaher Shah. Para o ex-embaixador do Afeganistão na ONU, Humayun Tandar, a Loya Jirga poderia ser convocada já nos próximos dias. Invasão Tandar era o embaixador afegão nas Nações Unidas antes da tomada de Cabul pelo Taleban e da queda do presidente Borhaneddine Rabbani. Tandar, porém, ainda se considera embaixador do governo legítimo do Afeganistão e comemorou os ataques dos Estados Unidos às bases do Taleban, mas alerta: "o Taleban apenas será vencido se houver uma invasão por terra de tropas estrangeiras", diz. Outra preocupação da reunião da Iniciativa de Genebra era com a situação social em um cenário pós-guerra. Para um funcionário da ONU, o pior cenário possível seria uma situação caracterizada por caos dentro do Afeganistão, instabilidade prolongada, alianças pouco confiáveis e condições adversas para o trabalho das agências de ajuda humanitária. "Temos que evitar esse cenário", disse. Em relação à ajuda humanitária imediata à população civil do Afeganistão, os países e a ONU tentam coordenar ações para permitir que, mesmo sendo bombardeados, os civis continuem a receber ajuda. "A população não pode ser responsabilizada pelos atos do regime do Taleban e os civis precisam da ajuda internacional", afirma Kofi Annan. Por enquanto, a ONU conseguiu arrecadar US$ 600 milhões de diferentes países e doadores para prestar ajuda à população do Afeganistão. Leia o especial

Agencia Estado,

08 Outubro 2001 | 16h05

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