Embaixadores na ONU estudam novas sanções ao Irã

Em esforço para pressionar o Irã a suspender o enriquecimento de urânio, seis importantes embaixadores na Organização das Nações Unidas iniciaram uma semana de negociações sobre possíveis novas sanções, mas não parece haver acordo. "Acho que a idéia básica é expandir e fortalecer o regime de sanções, mas até onde iremos, acho que há algumas diferenças entre os países membros", disse o embaixador da China na ONU, Wang Guangya, depois da rodada de abertura, na segunda-feira. Ele disse que espera novos debates ainda na terça-feira, 6, com os embaixadores dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, Rússia e Alemanha. Os resultados serão levados ao Conselho de Segurança, formado por 15 membros. As negociações, que acontecem na missão britânica na ONU, mudaram-se para Nova York depois que autoridades dos ministérios do Exterior dos países participantes fizeram três consultas por telefone na última semana. No sábado, não conseguiram acabar com todas as diferenças. Tanto Wang quanto o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disseram que a nova resolução provavelmente dará 60 dias para o Irã cumprir as exigências de suspender o trabalho de enriquecimento nuclear, que pode fornecer combustível para usinas, ou para bombas. Os EUA e importantes países da Europa suspeitam que o Irã queira construir armas nucleares sob cobertura de um programa civil. Teerã nega a acusação e afirma que seu objetivo é apenas gerar eletricidade. A nova resolução é a continuidade do documento adotado pelo Conselho de Segurança em 23 de dezembro, que impôs sanções comerciais sobre materiais nucleares e tecnologia, além de congelar bens de iranianos envolvidos no programa, depois que Teerã recusou-se a encerrar o enriquecimento. De acordo com o embaixador da Alemanha na ONU, Thomas Matussek, foi debatido uma proibição de viagem de autoridades iranianas envolvidas no programa nuclear, expansão da lista de material nuclear proibido e tecnologia que o Irã pode importar e exportar. Também está sendo considerado um aumento da lista de autoridades iranianas que podem ter os bens congelados no exterior. Mas os enviados disseram que as propostas de um embargo total de armas serão retiradas por causa de objeções da Rússia, bem como a proibição de emissão de vistos para estudantes de tecnologia nuclear no exterior. Os negociadores debateram também a restrição de créditos de exportação de governos para empresas que fazem negócios no Irã. Washington quer que a Europa acabe com estes créditos. Mas Matussek disse: "Não queremos prejudicar os negócios pequenos e médios..então temos que calibrar de maneira a passar a mensagem." China pede cooperação de TeerãO ministro de Assuntos Exteriores chinês, Li Zhaoxing, pediu ao Irã que aumente sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), já que Pequim deseja a retomada das negociações rumo à paz regional e à estabilidade.A China enfrenta pressões ocidentais para que apóie uma resolução de condenação do Conselho de Segurança da ONU (CS) contra o Irã. "Como potência nuclear, a China cumpre totalmente seus compromissos com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e fez parte das consultas do Grupo 5+1 (os cinco membrospermanentes do CS mais a Alemanha). Uma solução pacífica por meio da negociação é do interesse de todos", afirmou.O responsável pela diplomacia chinesa também pediu a Teerã que explore os canais de diálogo com os países da União Européia (UE) e com Moscou. "Acho que não há nada mais valioso que a paz e a estabilidade regional. Todos osesforços internacionais e da ONU devem ser orientados a reconduzir as negociações nessa direção", acrescentou.Li reiterou durante uma entrevista coletiva em meio ao Congresso Nacional do Povo(CNP), reunido em Pequim até o dia 16, que o diálogo e a negociação devem prevalecer sobre as sanções a fim de que o Irã abandone um programa nuclear que o Ocidente teme seja militar, algo que Teerã nega.

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