Marcelino Vazquez Hernandez/ACN/Handout via REUTERS
Marcelino Vazquez Hernandez/ACN/Handout via REUTERS

Embargo dos Estados Unidos a Cuba impede renovação de frota de aviões

Boeing que caiu em Havana era alugado de companhia mexicana, pois a Cubana havia retirado de serviço seus aviões por falta de peças

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 21h02

HAVANA - O Boeing 737-201 que caiu nesta sexta-feira, 18, após decolar do aeroporto José Martí, localizado a 30 quilômetros do centro de Havana, tinha sido construído em 1979 e alugado pela Cubana de Aviación, que recentemente retirou de serviço vários de seus aviões velhos que apresentavam problemas mecânicos. 

+ Avião cai após decolar em Havana; mais de 100 pessoas morrem

O primeiro-vice-presidente cubano, Salvador Valdés Mesa, havia se reunido na quinta-feira com funcionários da companhia aérea para discutir melhorias em seu serviço, que era alvo de duras críticas. As primeiras informações da mídia indicavam que o avião pertencia à companhia italiana Blue Panorama. No entanto, a empresa disse que seus aviões não estavam envolvidos no acidente. 

Um funcionário da Cubana esclareceu que o avião pertencia à Aerolíneas Global Air, do México. Segundo sites que oferecem os serviços da pequena companhia de voos charter fundada em 1990, ela voa a Cuba e opera vários 737 sob o nome legal de Aerolíneas Damojh. A empresa disse que o avião tinha passado pela revisão anual em novembro.

+ RELEMBRE: Os maiores desastres aéreos dos últimos dez anos

O governo do México confirmou que havia seis tripulantes mexicanos no avião, entre eles o piloto capitão Jorge Luis Nunez Santos, o primeiro-oficial Miguel Angel Arreola Ramirez e as comissárias Maria Daniela Rios, Abigail Hernandez Garcia e Beatriz Limón. 

A companhia é conhecida entre os cubanos por seus frequentes atrasos e cancelamentos. A Cubana costuma atribuir esses problemas à falta de aviões e de peças de reposição em razão do embargo americano contra a ilha. O acidente ocorreu em meio à luta de Cuba para melhorar a aviação comercial do país, severamente afetada pelo embargo, imposto em 1960. 

O diretor-geral da Cubana, capitão Hermes Hernández Dumas, disse, no mês passado, que os voos domésticos da companhia haviam transportado mais de 11.700 passageiros, entre janeiro e abril deste ano, destacando que 64% dos voos saíram no horário, em comparação com os 59% do mesmo período de 2017. “Entre as dificuldades provocadas pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, há também a impossibilidade de adquirir aeronaves de última geração com tecnologia suficiente e capaz de garantir a estabilidade das operações aéreas. As sanções também influenciam na aquisição de peças”, acrescentou. 

 Cubana de Aviación suspendeu seus voos domésticos em março, segundo vários meios de informação. O site da Rádio Martí, fundada pelo governo americano, postou a foto de um cartaz na porta da companhia aérea dizendo que todos os voos tinham sido cancelados. Um segurança disse à rádio que literalmente não havia aviões, acrescentando que os que sobraram estavam em péssimas condições.

Na quinta-feira, 17, o site da Airline Geeks informou que a Cubana de Aviación tinha suspendido um de seus voos para a Ucrânia “em razão de problemas técnicos recorrentes que afetavam a segurança do voo”.

Em novembro de 2010, um Boeing 737, fabricado em 1975, da Global Air, que havia decolado da Cidade do México, fez um pouso de emergência no aeroporto de Puerto Vallarta, no Estado de Jalisco, pois o trem de pouso não estava funcionando. O fogo foi rapidamente controlado e nenhuma das 104 pessoas que estavam a bordo ficou ferida. / EFE e NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.