Emboscada do Hamas a comboio deixa 6 mortos em Gaza

Militantes do Hamas emboscaram nesta quinta-feira um comboio de quatro caminhões pertencentes ao Fatah, na Faixa de Gaza. O argumento do grupo islâmico é de que os caminhões transportavam armas para a guarda presidencial de Mahmoud Abbas.Dois agentes da guarda presidencial e dois civis foram mortos durante o combate entre militantes do Hamas e os guardas presidenciais que acompanhavam o comboio, disseram testemunhas. O Fatah afirma que os quatro caminhões levavam tendas e equipamentos médicos. O grupo acusou o seu rival Hamas de colocar em "grave perigo" o cessar-fogo entre as facções instaurado há três dias.Fontes hospitalares informaram que 30 pessoas, incluindo duas crianças, ficaram feridas no confronto. Foi o mais violento desde o início da trégua de terça-feira, destinada a interromper a onda de violência que havia matado 33 palestinos. Na cidade de Hebron, na Cisjordânia, manifestantes foram às ruas em protesto contra a violência interna entre Hamas e Fatah, que tem gerado várias vítimas. Em meio ao protesto, crianças seguravam cartazes pedindo o fim da violência."Uma verdadeira guerra está ocorrendo, homens usando as armas mais pesadas que têm", disse uma testemunha. Fontes do Hamas, partido que controla o governo palestino, disseram que os caminhões, que saíram de Kerem Shalom, na fronteira com Israel, levavam armas para a guarda presidencial de 4 mil homens, uma força leal a Abbas e ao Fatah."Os heróis do Hamas confiscaram carregamentos de armas que vieram por Kerem Shalom como parte da luta contra o povo palestino", disse um locutor da rádio do Hamas. Um dos caminhões foi capturado, segundo moradores da região onde ocorreu o conflito."Não havia arma nenhuma", disse Abu Khoussa, porta-voz da Fatah, alegando que o carregamento era de geradores, tendas e suprimentos médicos. Na opinião dele, a emboscada representou "um grande perigo à continuação do acordo (de cessar-fogo)".O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, se comprometeu a dar apoio financeiro, no valor de 86 milhões de dólares, para treinamento e equipamentos não-letais para as forças leais a Abbas. Armas e munições são fornecidas por Jordânia e Egito, países aliados dos EUA, com aval de Israel, segundo fontes israelenses. Diplomatas dizem que Abbas vem preparando suas forças para impedir que o Hamas traga para Gaza armas mais poderosas para a sua "Força Executiva" e para seu braço paramilitar, as Brigadas Izz El-Deen Al Qassam. Em Nablus, na Cisjordânia ocupada, as forças israelenses mataram dois militantes das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, um braço armado da Fatah, segundo moradores. Uma fonte militar israelense confirmou o incidente. Um terceiro palestino foi morto por soldados israelenses perto da barreira que isola a Cisjordânia de Israel. Segundo fontes de um hospital, um rapaz de 17 anos havia sido baleado na perna e não resistiu à hemorragia. O Exército disse que as forças que atuam perto do campo de refugiados de Qalandiya, nos arredores de Ramallah, alvejaram uma pessoa que tentava violar a cerca. Matéria atualizada às 19:03

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