Emergentes pedem Conselho de Segurança mais democrático

Em prévia de cúpula entre os três países, Brasil, Índia e África do Sul defendem reforma do órgão

Efe,

17 Julho 2007 | 09h26

Brasil, Índia e África do Sul deram nesta terça-feira, 17, mais um passo no reforço do seu eixo de cooperação durante a reunião dos seus ministros de Exteriores em Nova Délhi, que defenderam a reforma do Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais democrático.   O representante indiano, Pranab Mukherjee, recebeu o brasileiro Celso Amorim e a sul-africana Nkosazana Dlamini Zuma com uma agenda que precede a segunda cúpula de chefes de Estado e de governo dos três países, que acontecerá na África do Sul em outubro.   "Os três países juntos formariam o maior espaço econômico do mundo, que cria sinergias para outras formas de cooperação sul-sul e para a solidariedade mútua", afirmou Amorim durante a entrevista coletiva conjunta após o encontro.   Em entrevista concedida ao jornal indiano The Hindu, Amorim tinha delineado três grandes indicadores de evolução para o grupo: o reforço da cooperação nos fóruns internacionais, o desenvolvimento de projetos conjuntos e ajuda para países mais pobres.   Com estas idéias básicas, os ministros elaboraram um documento de 24 páginas que destaca o interesse em reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde tanto Índia como Brasil aspiram a ter uma cadeira permanente.   "Os três países possuem as mesmas idéias: a de um Conselho mais representativo e mais democrático, que deve se expandir e incluir membros permanentes e não-permanentes. A África do Sul também acredita que o veto deve ser abolido", disse a representante sul-africana na coletiva.   Cooperação   Os ministros afirmaram no documento que a cooperação sul-sul deu peso a sua voz no cenário internacional e se comprometeram a fortalecer as relações em várias áreas, como transporte, saúde e propriedade intelectual.   No entanto, apesar do clima de entendimento, a Índia continua sem obter uma posição definitiva do Brasil e da África do Sul a respeito do seu programa nuclear civil, que o governo indiano quer desenvolver para cobrir as crescentes necessidades energéticas.   A Índia tenta obter toda a assistência possível dos países do Grupo de Fornecedores Nucleares, entre eles Brasil e África do Sul, após o pacto assinado com os Estados Unidos em março de 2006, cujos detalhes estão sendo negociados pelos dois países nesta terça em Washington.   "Temos a cooperação de Brasil e África do Sul no Grupo de Fornecedores, mas enquanto não houver um consenso (com os Estados Unidos) sobre o acordo 123, o órgão não formulará uma posição. Um pacto se seguirá ao outro", afirmou Mukherjee.   Enquanto o acordo é debatido, Mukherjee afirmou que a cooperação energética realizada entre a Índia e o Brasil está concentrada, sobretudo, nos hidrocarbonetos, embora Nova Délhi "queira mais".   No plano comercial, os ministros se comprometeram a iniciar grupos de trabalho antes de setembro para que estudem a possibilidade de um Acordo de Livre-Comércio Trilateral, que afetaria o Mercosul e a União Aduaneira da África do Sul.   Além disso, os representantes aproveitaram a ocasião para pedir aos países ricos uma redução das distorções no comércio, a fim de desbloquear a paralisada Rodada de Doha.   Antes da reunião prevista com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Sinh, Amorim opinou que seriam necessários uma maior coordenação e um diálogo mais estruturado nos fóruns internacionais.

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