Emilie, viúva de Oskar Schindler, morre na Alemanha

Um casal salvou mais de 1.300 judeus do extermínio do Terceiro Reich, mas somente o marido levou a fama, além de transformar-se em nome de filme: A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Emilie, a esposa do famoso Oskar, nunca esqueceu o fato de ter sido colocada como mera coadjuvante do salvamento de prisioneiros do nazismo. Desde sua humilde casa na cidade de San Vicente, na Grande Buenos Aires, para onde ela havia emigrado em 1949, com amargura, Emilie costumava comentar sobre o falecido e beberrão Oskar: "Ele não era tudo isso que falam hoje em dia". Depois de meio século de uma vida de sofrimentos, Emilie Schindler faleceu hoje no hospital Strausberg, em Berlim, aos 93 anos. A "viúva de Schindler", como era conhecida na Argentina, decidiu retornar à Alemanha em julho, para ali passar seus últimos dias. Pouco depois de sua chegada, foi internada por causa de um ataque de apoplexia. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os Schindler emigraram para a Argentina. Junto com eles, Oskar levou Gisa, sua amante. Em 1957, partiu para a Alemanha, para receber uma indenização pela perda de sua fábrica depois da guerra. No entanto, Oskar nunca mais voltou e faleceu em seu país em 1974. Enquanto isso, Emilie ficou na Argentina, pagando US$ 80 mil em dívidas que ele havia deixado. Emilie perdeu tudo, mas foi ajudada pela organização judaica B´nai B´rith. Em 1996, Emilie decidiu publicar um livro contando sua versão dos fatos: Memórias - À sombra de Schindler, relatando como ela havia lutado para proteger 1.300 judeus que trabalhavam em sua fábrica, e de como seu marido gastou todo o dinheiro com mulheres e bebidas. O livro a tirou do anonimato, fazendo que fosse recebida pelo presidente americano da época, Bill Clinton, e pelo papa João Paulo II. Em várias entrevistas nos últimos anos, Emilie sustentou que se retornasse no tempo, voltaria a salvar os 1.300 judeus: "Porque não ajudaria pessoas que tinha condições de ajudar, que estavam diante de meus olhos todo o tempo?". Sobre os riscos que correu, comentava: "Não me importava o perigo". Emilie afirmava que "nem em sonhos" voltaria a se casar com Oskar. No entanto, com fortíssimo sotaque alemão, apesar do meio século na Argentina, admitia: "O tenho amado, o tenho odiado...tenho tentado esquecê-lo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.