REUTERS/Angus McDowall
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Emirados Árabes usam mercenários da Colômbia para lutar no Iêmen, diz NYT

Segundo jornal, cerca de 450 mercenários latino-americanos chegaram no país; soldados fariam parte de um contingente de 1800 latino-americanos

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 15h31

WASHINGTON - As Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos (EAU) treinaram e enviaram em segredo centenas de mercenários colombianos para lutar no conflito armado do Iêmen, informou nesta quinta-feira, 26, o jornal americano The New York Times.

A publicação, que cita fontes anônimas envolvidas no projeto, garante que há anos o programa foi criado por uma empresa privada ligada a Erick Prince, fundador da companhia de segurança americana Blackwater, mas depois passou para as mãos dos militares dos Emirados Árabes.

De acordo com o The New York Times, chegaram ao Iêmen cerca de 450 mercenários latino-americanos. A grande maioria tem cidadania colombiana, mas também há panamenhos, salvadorenhos e chilenos.

O jornal afirma que esses soldados foram enviados ao Iêmen em outubro e fazem parte de um contingente de 1.800 latino-americanos que estão sendo treinados em uma base militar dos Emirados Árabes.

O fato de a maioria dos recrutados ser colombiano se deve à avaliação dos oficiais dos Emirados, que consideram que eles estão mais preparados para o combate em razão da experiência guerrilheira nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), explica o jornal.

O recrutamento na Colômbia está sob a responsabilidade da Global Enterprises, uma companhia colombiana dirigida por um ex-comandante de operações especiais identificado como Oscar García Batte.

Como mercenários dos EAU, os soldados colombianos recebem um salário mensal em torno de US$ 2 mil e US$ 3 mil, frente aos US$ 400 que receberiam em seu país. Os enviados ao Iêmen serão compensados com US$ 1 mil adicionais por semana, de acordo com uma fonte anônima envolvida no projeto citada pela publicação.

Os rebeldes houthis, que controlam o norte do território iemita, deram início ao conflito após acusar o presidente, Abdo Rabbo Mansour Hadi, e seu governo de não aplicar o acordo de reconciliação firmado por distintos grupos políticos do país.

Um ano após a invasão da capital, Sana, pelos houthis, o caos permanece no país, arrasado por combates e bombardeios protagonizados por partidários e opositores de Hadi, que conta com o apoio de uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita.

Os Estados Unidos também participam dessa coalizão, fornecendo apoio logístico aos países que bombardeiam os rebeldes. /EFE

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