Emissário de Obama tenta consolidar trégua em Gaza

George Mitchell chega a Israel, onde se reúne com principais líderes do governo israelense

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 09h54

O emissário especial do presidente Barack Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, pediu nesta quarta-feira, 28, em visita ao Cairo, para que o cessar-fogo na Faixa de Gaza seja consolidado afirmou que sua viagem à região "reflete o interesse do presidente (Barack) Obama de reviver o processo de paz e fazê-lo avançar". Após se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, Mitchell chegou em Israel, onde se reúne com os principais líderes do país ainda nesta quarta, em Jerusalém.   Veja também: Israel bombardeia túneis na fronteira egípcia de Gaza Ataque aéreo israelense fere membro do Hamas em Gaza Soldado israelense morre em explosão na fronteira de Gaza Hamas nega querer controlar fundos para reconstruir Gaza Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza    Mas uma escalada da violência tem ameaçado as declarações separadas de cessar-fogo feitas por Israel e pelo Hamas em 18 de janeiro, após uma ofensiva israelense de 22 dias com o objetivo de pôr fim ao lançamento de mísseis contra o território do país. Nesta quarta, a força aérea israelense bombardeou túneis na fronteira entre Gaza e Egito, numa resposta à morte de um soldado por uma bomba na fronteira na terça-feira e, em seguida, tropas mataram um palestino, numa violação ao cessar-fogo na região. A população em Gaza teme agora mais ataques israelenses.   O enviado dos EUA, que viaja com a missão encomendada pelo presidente americano, Barack Obama, de escutar todas as partes, revisou durante o encontro com Mubarak "os esforços do Egito para alcançar um cessar-fogo na Faixa de Gaza e para reabrir as passagens fronteiriças". Mitchell, que já conhece de perto o conflito árabe-israelense, pois o acompanhou de perto durante a administração do ex-presidente americano Bill Clinton, viajará também para Jerusalém, Cisjordânia, Jordânia e Arábia Saudita.   Depois de se encontrar com o presidente egípcio Hosni Mubarak, no Cairo, George Mitchell chegou a Jerusalém, onde se reunirá com o presidente de Israel, Shimon Peres, o primeiro-ministro Ehud Olmert, a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, e o ministro da Defesa, Ehud Barak. Na quinta-feira, o emissário americano deverá ir a Ramallah, na Cisjordânia, para se encontrar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Encontros com líderes do Hamas não estão incluídos em sua agenda.   Segundo a BBC, Mitchell, encarregado por Obama de trabalhar energicamente para reavivar o processo de paz entre Israel e os palestinos, deverá se concentrar, nesta primeira visita em seu novo cargo, em estabilizar o cessar fogo na Faixa de Gaza e nos esforços para reconstruir a região cuja infraestrutura foi gravemente danificada pelos bombardeios israelenses. O novo emissário americano para o Oriente Médio tem ampla experiência nesta região.   Em 2001 Mitchell foi enviado pelo ex-presidente americano George W. Bush para formular um plano de paz, em meio à segunda Intifada (levante palestino iniciado em 2000). Naquela época, George Mitchell escreveu um relatório traçando um paralelo entre a violência de militantes palestinos e a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.   O relatório Mitchell, de abril de 2001, exigia que os grupos palestinos suspendessem a violência contra civis israelenses e que Israel congelasse totalmente a construção de assentamentos, inclusive a expansão para fins chamados por Israel de "crescimento natural". A nomeação de Mitchell para o cargo de emissário especial para o Oriente Médio e o forte apoio que o diplomata está recebendo tanto do presidente Obama como da Secretária de Estado, Hillary Clinton, despertam a apreensão da direita israelense, pela possibilidade de uma mudança significativa na atitude do governo americano em relação a Israel.

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