Emissário dos EUA busca apoio do Brasil para sanções contra Irã

Subsecretário de Estado vai se reunir com ministro Celso Amorim e preparar visita de Hillary Clinton

BBC Brasil, BBC

26 de fevereiro de 2010 | 07h30

O subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA chega ao Brasil nesta sexta-feira, 26, para discutir sanções contra o Irã.

Num esforço diplomático do governo de Barack Obama em reunir aliados para pressionar o Irã a por um fim ao seu programa de enriquecimento de urânio, William Burns estará em Brasília cinco dias antes da chegada da secretária de Estado, Hillary Clinton, que tem encontro marcado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na próxima quarta-feira.

O governo americano confirmou que Burns e Clinton tentarão convencer o governo brasileiro a mudar sua posição quanto à aprovação de sanções contra o país islâmico no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Burns deve se encontrar com o ministro Amorim.

"Não poderia negar que o Irã estará entre as principais

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questões a serem discutidas com o Brasil", confirmou P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado. "Estou certo de que o subsecretário Burns vai levar aos brasileiros as informações mais atualizadas sobre o processo P5+1 e que a secretária Clinton fará o mesmo nas reuniões que terá com o presidente e o ministro do Exterior brasileiros na próxima semana."

Responsável por consultas entre o P5+1 - o grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) mais a Alemanha para lidar com a questão nuclear iraniana -, Burns deverá tentar aproximar o Brasil da posição defendida pelos americanos. Ele deverá se encontrar com o ministro Amorim.

Como o Brasil ocupa, atualmente, uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, o apoio do país é considerado importante para sustentar a posição dos EUA de que o Irã seja penalizado por se recusar a dar explicações mais detalhadas sobe seu programa nuclear.

Isolamento

O Brasil é um dos dez membros rotativos do Conselho e há algum tempo tem se manifestado contra a imposição de sanções contra o país islâmico.

Durante viagem a Cancún, no México, Lula defendeu a relação do Brasil com o Irã, afirmando que o objetivo é não encurralar e isolar o país. "Nós queremos construir a possibilidade de ter a paz no mundo", disse. "Se queremos paz no mundo, não podemos deixar ninguém isolado."

O governo brasileiro defende o direito dos iranianos de desenvolver um programa nuclear próprio, desde que seja para fins pacíficos. Lula é favorável que a ONU busque o diálogo com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Na ocasião, o presidente disse que o Brasil exporta US$ 1 bilhão e não compra nada dos iranianos. Lula assinalou que vistará o país em maio para fechar acordos comerciais.

Por outro lado, os EUA e alguns de seus aliados são contrários a iniciativa de Ahmadinejah de incluir no programa nuclear do país a produção de urânio enriquecido a um nível de 20%. Eles acreditam que a decisão disfarçaria a produção de armas nucleares. Os iranianos, no entanto, garantem que o projeto tem finalidades pacíficas e está de acordo com as normas do Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

Burns também vai falar com altos funcionários do Itamaray sobre diversos assuntos, além de ajudar a preparar a visita da secretária de Estado. "Acredito que as mudanças climáticas também estarão na lista, mas a ocasião será dedicada a um aprofundamento das relações e a vários assuntos bilaterais", afirmou Crowley. "Mas, claramente, o Brasil é uma potência emergente com um aumento de influência na região e ao redor do mundo. Nós acreditamos que junto com essa influência vem a responsabilidade".

Hillary Clinton inicia turnê pela América Latina no domingo. Além do Brasil, ela visitará o Uruguai, o Chile, a Costa Rica e a Guatemala. Na segunda-feira, ela participa da solenidade de posse do presidente uruguaio, José Mujica. Depois, estará com a presidente chilena, Michelle Bachelet, e o presidente eleito, Sebastian Piñera. Na quinta-feira, após a visita ao Brasil, participa de encontros com o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e a presidente eleita, Laura Chinchilla. A última parada é na Guatemala, onde encontrará o presidente Álvaro Colom e participará de encontros com líderes da América Central e República Dominicana.

As viagens de Hillary e Burns antecedem a visita de Obama à região, que deverá ocorrer em meados do segundo semestre deste ano.

 

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