Emissários fracassam em fazer Irmandade aceitar golpe no Egito

Enviados da Europa e dos EUA não convencem facção islâmica egípcia a desistir do retorno de Mohamed Morsi ao poder

CAIRO, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2013 | 02h10

A Irmandade Muçulmana do Egito rejeitou ontem os apelos de enviados especiais dos EUA e da Europa para que aceitasse a deposição do presidente eleito Mohamed Morsi. Entre os emissários está o número 2 do Departamento de Estado dos EUA, William Burns.

Os enviados visitaram ontem na prisão um dos principais líderes da Irmandade, o empresário Khairat al-Shater, a quem fizeram o apelo. Shater teria abreviado o encontro, dizendo-lhes que deveriam conversar com Morsi, segundo o porta-voz da facção islâmica Gehad al-Haddad. Outras pessoas que estiveram presentes na reunião, porém, disseram que os emissários conversaram longamente com o líder da Irmandade.

Além de Burns, estão também no Egito os senadores americanos John McCain e Lindsey Graham. Os nome dos representantes do lado europeu não foram revelados, embora na semana passada a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, tenha realizado uma visita ao Cairo.

Americanos e europeus tentam mediar uma solução para a crise egípcia, que ganhou contornos dramáticos com a deposição do presidente Morsi pelos militares. O líder islamista era acusado de tentar dominar o poder quando foi destituído do cargo pelos generais, em meio a amplas demonstrações de apoio ao golpe nas ruas. Partidários de Morsi, entretanto, também protestaram em massa e até hoje mantêm praças ocupadas exigindo o retorno do presidente eleito.

No outro lado da crise, uma alta fonte militar disse que o Exército e o governo provisório estariam dispostos a libertar alguns membros da Irmandade que estão presos, descongelar o patrimônio do grupo e oferecer-lhe três cargos ministeriais. Uma fonte envolvida na iniciativa diplomática disse que a libertação dos presos ocorreria a qualquer momento.

Morsi se tornou, em junho de 2012, o primeiro presidente eleito livremente na história egípcia, 16 meses depois da rebelião popular que derrubou o regime de Hosni Mubarak. Os temores de que ele estivesse tentando estabelecer uma autocracia islâmica, juntamente com o fracasso em resolver as dificuldades econômicas, levaram a enormes manifestações populares. / AFP

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