Emissora de televisão da Tunísia é retirada do ar

A Hannibal TV, principal emissora privada de televisão da Tunísia, foi retirada do ar e seu proprietário, Larbi Nasra, foi preso por "alta traição", ao mesmo tempo em que manifestantes na capital do país pediam a renúncia do primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi. Nasra estaria "utilizando seu canal para acabar com a revolução dos jovens, semear o caos, incitar a desobediência civil e transmitir informações falsas", segundo uma autoridade do governo ouvida pela agência de notícias estatal TAP.

AE, Agência Estado

23 de janeiro de 2011 | 17h52

A agência disse também que foram detidos em prisão domiciliar o líder do Senado, Abdallah Kallal, e Abdel Aziz Ben Dhia, principal assessor do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, que renunciou em 14 de janeiro após 23 anos no poder. Hoje, centenas de pessoas protestavam no centro de Túnis, pedindo que pessoas ligadas ao regime de Ben Ali, como o primeiro-ministro Ghannouchi, deixassem seus postos. "O povo veio para derrubar o governo", diziam os manifestantes, alguns deles carregando fotos de pessoas mortas pelas forças de segurança durante os protestos das semanas anteriores.

"Nós viemos para derrubar o resto da ditadura", disse Mohammed Layani, um idoso que participava da manifestação enrolado em uma bandeira da Tunísia. Segundo outro homem, chamado Samit, "nossa principal demanda é liberdade antes do pão. Queremos que esse regime corrupto e fascista caia".

A placa do "Gabinete do Primeiro-Ministro", num prédio do centro da cidade, foi alterada por um manifestante para "Ministério do Povo". Um cartaz dizia: "Eles roubaram nosso dinheiro, mas não vão roubar nossa revolução". Ghannouchi anunciou mais cedo que pretende abandonar a política, mas somente depois de organizar a primeira eleição democrática da Tunísia desde a independência da França, em 1956. O governo disse que o pleito ocorrerá dentro de seis meses, mas ainda não foi marcada uma data.

O protesto em Túnis recebeu o apoio do Sindicato Geral dos Trabalhadores da Tunísia, mais conhecido por seu acrônimo francês, UGTT. A organização teve um papel fundamental nas manifestações que culminaram na renúncia de Ben Ali e se recusou a reconhecer o governo de transição atual. Esse governo lançou medidas sem precedentes de liberdades democráticas, mas ainda é liderado por velhas figuras do regime do ex-presidente. As informações são da Dow Jones.

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