REUTERS/Philippe Wojazer/File Photo - 14 de Julho de 2018
REUTERS/Philippe Wojazer/File Photo - 14 de Julho de 2018

Emmanuel Macron assume responsabilidade no caso Benalla

Em discurso a deputados e membros do governo, presidente fracês diz ser 'o único responsável' por escândalo envolvendo ex-chefe de segurança do Eliseu

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2018 | 02h27

PARIS - O presidente francês Emmanuel Macron disse ser o "único responsável" pelo escândalo envolvendo um dos chefes de segurança do Eliseu, Alexandre Benalla, flagrado agredindo manifestantes durante as celebrações do 1º de Maio. É o primeiro pronunciamento do mandatário após a revelação do caso que mergulhou seu governo na pior crise política desde sua posse, em 2017. Macron é acusado de tentar abafar as agressões, divulgadas pelo jornal Le Monde

"Eu sou o único responsável. Quem confiou em Alexandre Benalla fui eu, o presidente da República", disse Macron a deputados e correligionários em uma reunião a portas fechadas em Paris nesta terça-feira, 24. O áudio do discurso do presidente foi obtido pela agência de notícias Agence France-Press (AFP). "O que ocorreu no 1º de Maio é grave, sério e, para mim, foi uma profunda decepção, uma traição", disse.

O caso envolvendo Benalla começou no 1º de Maio, quando ele foi flagrado agredindo manifestantes durante as comemorações do feriado. Na ocasião, o então chefe da segurança pessoal de Macron trajou capacete e braceletes da polícia, mesmo sem ser policial. No dia seguinte, o governo francês obteve informações sobre a ocorrência e afastou Benalla por quinze dias, mas não informou a justiça sobre o possível crime cometido pelo agente - algo previsto em lei. 

Na semana passada, o jornal Le Monde divulgou vídeos gravados por testemunhas da agressão e a revelação sobre a tentativa do governo francês de abafar o caso. O escândalo mergulhou Macron e sua cúpula de assessores em uma crise política que levou à ordem presidencial para uma reforma no gabinete. Benalla, de 26 anos, que atuava na chefia de segurança do presidente, foi demitido e denunciado por violência e usurpação de funções.

O chefe de gabinete de Macron, Patrick Strzoda, foi ouvido por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o caso. Aos deputados, afirmou que o governo não denunciou o incidente por "falta de provas" e porque ninguém apresentou queixa formal às autoridades contra Benalla. Strzoda também assumiu responsabilidade pelo afastamento provisório do agente.

"Entendo que se possa considerar que não era adequado, mas, no que me diz respeito, assumo a minha decisão", disse.

Em sessão aberta na Assembleia Nacional na segunda-feira, 23, o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, saiu em defesa de Macron e afirmou que "nada foi escondido" sobre o caso. "Entendo que algumas pessoas se perguntem se as sanções adotadas foram suficientes", disse. "Uma República se esforça para ser exemplar, mas nem sempre é perfeita."

Deputados da oposição anunciaram que apresentarão uma moção de censura contra o governo Macron nos próximos dias. A medida, no entanto, não deverá ir adiante graças a maioria formada pela base aliada ao presidente na Assembleia Nacional. //AFP

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