AFP PHOTO / Zinyange AUNTONY
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Emmerson Mnangagwa ganha eleição no Zimbábue em meio a protestos

Ex-assessor do ditador Robert Mugabe, e pivô do seu afastamento, obteve 50,8% (2,46 milhões); seu adversário, o líder opositor Nelson Chamisa, teve 44,3%

O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 20h05

HARARE - A Comissão Eleitoral do Zimbábue declarou nesta quinta-feira, 2, o presidente Emmerson Mnangagwa vencedor das eleições presidenciais de segunda-feira, as primeiras sem o ex-ditador Robert Mugabe deposto ano passado. Mnangagwa, um ex-chefe de espionagem e ex-assessor de Mugabe, obteve 50,8% (2,46 milhões) e o seu adversário, o líder opositor Nelson Chamisa, 44,3% (2,15 milhões).

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Durante a divulgação dos resultados, a polícia removeu representantes da oposição do auditório após eles declarem que não aceitariam a vitória do presidente. Antes do anúncio, tanto Mnangagwa como o líder da oposição, Nelson Chamisa, haviam se declarado vitoriosos.

O processo de apuração após a votação da segunda-feira foi marcado pelo conflito de opositores e forças de segurança nas ruas da capital, Harare, que resultaram na morte de ao menos seis pessoas.

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A frágil paz que vigorou no Zimbábue depois da queda de Robert Mugabe, em novembro, chegou ao fim após a primeira eleição no país sem a presença do ex-ditador. Na quarta-feira, forças do governo abriram fogo contra manifestantes de oposição na capital, Harare, deixando ao menos seis mortos.

O conflito teria começado quando partidários do opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) protestaram contra a demora na divulgação dos resultados da votação para presidente, que ocorreu na segunda-feira.

O partido governista União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica ZANU-PF, ex-partido de Mugabe e do atual presidente, Emmerson Mnangagwa – anunciou ter vencido as legislativas e conquistado a maioria dos assentos no Parlamento. Ele ficará com 109 cadeiras enquanTo o MDC terá 41, do total de 210.

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No entanto, o candidato do MDC, Nelson Chamisa, havia reivindicado na terça-feira que havia ganhado a disputa presidencial. A oposição e manifestantes afirmam que a rapidez na divulgação dos resultados para o Legislativo contrasta com a demora na apuração dos resultados das presidenciais e seria mais um sinal da tentativa do partido do governo de fraudar a eleição.

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Apesar de a corrida presidencial ter envolvido 23 candidatos, a disputa principal foi entre o opositor Chamisa, um advogado e pastor de 40 anos, e o governista Mnangagwa, de 75 anos, assessor de Mugabe por quase 30 anos e principal articulador do golpe militar que forçou o ex-ditador a renunciar, em novembro, permitindo que Mnangagwa chegasse ao poder.

Na quarta-feira, em meio a uma forte presença policial nas ruas de Harare, a atmosfera tensa se transformou em violência. Armados com varas de metal e pedras, grupos percorreram o centro da capital destruindo de semáforos a fachadas de bancos e lojas. A polícia disparou tiros de advertência, canhões de água e gás lacrimogêneo na tentativa de dispersar as multidões.

Mnangagwa havia pedido mais cedo uma solução pacífica para as divergências com a oposição. "É mais importante do que nunca que demonstremos união e nos comprometamos a solucionar nossas diferenças pacificamente e dentro da lei", afirmou Mnangagwa. "Estamos em contato com Nelson Chamisa (o líder da oposição) para debater como resolver a situação", completou ele em sua conta no Twitter.  / AFP, REUTERS e NYT

 

 

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