Timothy A. Clary/Efe
Timothy A. Clary/Efe

Emocionados e tensos, americanos lembram mortos do 11 de Setembro

Com esquema de segurança reforçado, parentes das vítimas foram ao Marco Zero

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro          

CORRESPONDENTE / NOVA YORK - Os parentes das vítimas concentraram as atenções nas cerimônias para marcar os dez anos do 11 de Setembro no Marco Zero, em Nova York. O presidente Barack Obama e seu antecessor, George W. Bush,foram coadjuvantes durante a visita das famílias ao recém-inaugurado memorial, onde estão os nomes de seus entes queridos gravados em placas de bronze nos dois espelhos d"água no local onde estava o World Trade Center.

 

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Vindos de outras partes dos Estados Unidos, da Europa, da Ásia e até mesmo do Brasil, os parentes chegaram durante a madrugada, com a nova torre iluminada com as cores da bandeira americana, depois de passar por um dos mais rigorosos esquemas de segurança já montados na história da cidade.

Postos de controle foram instalados em diversas esquinas de Manhattan. As pontes e os túneis de acesso eram vigiados pelos serviços de inteligência. Num raio de dez quarteirões ao redor do Marco Zero entravam apenas as pessoas credenciadas e moradores que comprovassem residência.

No acesso, nem mesmo guarda-chuva e água mineral foram permitidos. Os equipamentos de jornalistas, em sua maioria estrangeiros, eram inspecionados. O medo era de que a Al-Qaeda ou mesmo um terrorista isoladamente aproveitasse a data para realizar um atentado depois de autoridades americanas dizerem haver planos críveis, mas não confirmados, de que um ataque estava sendo planejado.

Os familiares entravam em grupos no memorial. Alguns traziam fotos dos parentes mortos na camiseta. Outras vestiam uniformes do corpo de bombeiros ou da polícia em homenagem aos pais ou filhos que morreram ao prestarem socorro nos minutos posteriores aos ataques. Muitos preferiam ser discretos, apenas se abraçando.

O ritual era o mesmo para todos. Escutar o nome do parente ou amigo morto e depois visitar o novo memorial e ver pela primeira vez os nomes gravados. No meio, escutaram mensagens de Obama, Bush, do prefeito Michael Bloomberg, de Rudolph Giuliani, que ocupava o cargo em 2001, e dos governadores e ex-governadores de Nova York e New Jersey. Bush e Giuliani foram mais aplaudidos do que seus sucessores.

"Dez anos se passaram desde aquela manhã de céu azul se transformou em uma das mais escuras noites", disse Bloomberg, que foi uma espécie de mestre de cerimônias. Obama, que ficou ao lado de sua mulher, Michelle, de Bush e da ex-primeira-dama Laura Bush, optou por ler um salmo. Discursos políticos foram evitados e o objetivo era que as autoridades não ofuscassem as vítimas e seus parentes.

Ao longo da manhã, 137 pares de parentes se revezaram para ler os nomes das vítimas ao som de flautistas e violinistas. A leitura era apenas interrompida para um minuto de silêncio em cada um dos marcos dos ataques - primeiro e segundo aviões a se chocarem contra o WTC, avião lançado contra o Pentágono, queda de outro na Pensilvânia e o colapso de cada uma das torres.

"Nunca deixei de sentir falta do meu pai", disse Peter Negron um dos mais emocionados. Uma italiana que perdeu o marido também discursou na sua língua nativa para lamentar a perda, arrancando aplausos de todos.

Na plateia, a mãe e o irmão de Gary Frank, que morreu no 92º andar do WTC 2, se abraçaram por mais de três horas, até ouvirem o nome dele. "É muita dor perder um filho nessa situação. Ele era jovem, veja a foto", disse a mãe, orgulhosa.

Ao lado, um casal de idosos estava ansioso porque o nome do filho ainda não havia sido lido e eles imaginaram que tivesse sido esquecido. Na realidade, era apenas uma pausa para um minuto de silêncio do momento em que um aviões se chocou contra o Pentágono, às 9h37. Quando a leitura recomeçou, ao escutarem o nome dele, o pai e a mãe, na faixa dos 60 anos, desabaram no choro e se retiraram em direção ao memorial.

Com raras exceções, os familiares ficavam o tempo todo com os olhos lacrimejando. "Eu tinha dez anos e vinha sempre da Flórida passar o verão com meu avô. Tinha acabado de voltar para a casa (na Flórida) porque recomeçaram as aulas e tinha dado tchau para ele. Naquela manhã, na escola, fiquei sabendo que ele havia morrido", disse, dando os braços para a avó, o estudante de jornalismo Justin Duran, neto de Winston Grant, que trabalhava no WTC.

A irmã caçula de Marlyn Garcia, também morta nos ataques, carregava uma foto dela dizendo que "ao longo dos dez anos a dor diminuiu, mas ainda é muito difícil viver sem poder vê-la". Quando começou a chorar, foi imediatamente consolada por parentes de outras vítimas em um ato de solidariedade. Estas cenas se repetiram por toda a manhã.

A mãe e a irmã de Anne-Marie Sallerin Ferreira, uma das vítimas brasileiras, enfrentaram dificuldades para entrar na cerimônia de manhã. "Mas no fim deu tudo certo e estamos agora no memorial", disse Caroline Sllerin por telefone ao Estado, com voz de choro, pouco depois ver o nome da irmã gravado em bronze.

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