Empresa de Snowden tinha acesso a dados sigilosos do governo

A maioria dos 25 mil funcionários da Booz Allen, contratada por agência estatal, trabalha com material confidencial

Denise Chrispim Marin, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h08

No centro do polêmico vazamento de informações sobre os programas secretos de vigilância dos EUA está a companhia Booz Allen Hamilton, que teve no governo americano a fonte de 98% de seu faturamento de US$ 5,86 bilhões em 2012. Em comunicado, a Booz Allen reconheceu ser a empregadora de Edward Snowden, o analista de computação de 29 anos que divulgou as informações como gesto de "desobediência civil".

A Booz Allen não tem comentado o episódio. Na nota, limitou-se a dizer que havia menos de três meses Snowden era seu funcionário no Havaí. "Se confirmado (o vazamento por Snowden), isso representa grave violação do código de conduta e dos valores fundamentais de nossa empresa", informou a companhia, que oferece consultoria nas áreas tecnológica e de gerenciamento. "Vamos trabalhar com nossos clientes e as autoridades nas suas investigações sobre a questão."

Ainda não está claro o prejuízo, inevitável, da Booz Allen com o episódio. Suas ações caíram 2,56% ontem na Bolsa de Nova York, muito mais que a média de 0,06%. A companhia basicamente depende de seus contratos com o governo americano, em especial para a área de inteligência, que responde por 23% de seu faturamento, segundo o New York Times. Não por acaso, sua sede está em McLean, Virgínia. Trata-se de região vizinha de Washington, próxima do Pentágono e a 64 quilômetros da sede da Agência Nacional de Inteligência (NSA, na sigla em inglês).

O vínculo da Booz Allen com a NSA é estreito. O atual diretor da agência, James Clapper, é um ex-executivo da companhia. Seu antecessor na NSA, John McConnell, é hoje vice-presidente da Booz Allen e, antes de ter sido convidado pelo ex-presidente George W. Bush para a posição, já atuava na companhia. Parte das funções do governo, sobretudo nas áreas de defesa e inteligência, está nas mãos de mais de um milhão de empresas privadas.

Como Snowden, a maioria dos 25 mil empregados da Booz Allen atua em unidades do governo americano. Muitos deles com acesso a arquivos e comunicações confidenciais, o que exige deles a assinatura em declaração de ciência de trabalhar com esse material sensível e de que a divulgação de informação será punida com base na lei. Trata-se do mesmo procedimento cumprido por servidores públicos nas mesmas áreas.

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