REUTERS/Jorge Silva
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Kimberly Clark anuncia suspensão ‘indefinida’ de operações na Venezuela

Empresa americana é uma das principais fornecedoras de produtos de higiene pessoal; decisão foi justificada pela ‘deterioração das condições econômicas e de negócio’ no país

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2016 | 09h32

CARACAS - A empresa americana Kimberly Clark anunciou a suspensão "indefinida" de suas operações em sua filial da Venezuela por meio de um comunicado ao qual a agência de notícias Efe teve acesso no domingo.

"Todas as operações nos escritórios em Caracas, junto com as da fábrica e do centro de distribuição de Maracay, foram suspensas indefinidamente e a Kimberly-Clark não seguirá produzindo, comercializando nem vendendo suas linhas de produtos de consumo em massa e institucional, enquanto esta suspensão estiver em vigor", afirma o comunicado da companhia.

A Kimberly Clark era uma das principais fornecedoras de produtos de higiene pessoal aos venezuelanos, e anunciou a suspensão de suas atividades em razão da "deterioração das condições econômicas e de negócio".

"Esta decisão é tomada após anos nos quais a companhia procurou fazer frente a complicadas circunstâncias além de seu controle, como a inviabilidade para comprar matéria-prima, o que nos últimos dois meses ocasionou o fechamento da maioria das linhas de produção", detalha o documento.

Além disso, a nota ressalta que a decisão "é muito difícil", uma vez que a companhia é consciente do esforço de seus trabalhadores "frente a crescentes desafios para manter o negócio funcionando".

A Kimberly Clark esclarece também, que se as condições econômicas na Venezuela mudarem, "avaliará suas opções em relação à viabilidade" de voltar a operar no país caribenho, e acrescenta que "se mantém comprometida com o crescimento do resto de suas operações de negócio existentes na América Latina".

O site da emissora Unión Radio afirmou que 200 trabalhadores diretos da empresa americana ficaram sem emprego na sexta-feira.

As empresas na Venezuela necessitam de divisas para poder adquirir a matéria-prima para produzir. Desde 2003 o país mantém um controle cambial que deixa nas mãos do Estado o monopólio da administração de divisas do país, que são vendidas por meio de um embaraçado sistema administrativo.

Além disso, nos últimos meses criou-se um gargalo na entrega de divisas a diferentes setores econômicos que afetou todos as áreas em sua oferta e produção. /EFE

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