REUTERS/Nick Oxford/File Photo
REUTERS/Nick Oxford/File Photo

Empresa mexicana troca comida por milhões de barris de petróleo da Venezuela

Governo venezuelano adotou medida para assegurar importações em meio a sanções dos Estados Unidos; empresa afirma que trocas não contrariam governo dos EUA e são 'ajuda humanitária'

Marianna Parraga e Ana Isabel Martinez / Reuters, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 16h00

CIDADE DO MÉXICO - A Venezuela trocou milhões de barris de petróleo por cargas de milho e caminhões de água em um acordo com a empresa mexicana Libre Abordo S.A em um esforço para assegurar as importações em meio ao recrudescimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, de acordo com a empresa e com dados de exportação do governo. 

A empresa mexicana de capital privado não tinha experiências anteriores no setor de petróleo e surgiu como um importante comprador de petróleo da Venezuela em um momento em que a estatal de petróleo PDVSA viu seu portfólio de clientes diminuir devido a sanções destinadas a derrubar o presidente Nicolás Maduro.  

Afundada em anos de hiperinflação, recessão econômica e fome, a Venezuela tem lutado para pagar importações de tudo - de alimentos a suprimentos médicos. Milhões de venezuelanos emigraram em meio à escassez generalizada.

A Libre Abordo recebeu 6,2 milhões de barris de petróleo venezuelano para revenda nos mercados internacionais. Ainda há duas cargas de petróleo e combustível para serem carregadas este mês, de acordo com os programas de exportação da PDVSA.

Em comunicado enviado à agência Reuters, a Libre Abordo informou que assinou um contrato no ano passado para exportar caminhões de milho e água mexicanos para a Venezuela em troca de suprimentos de petróleo. Também afirmou que o contrato ainda estava em vigor e que consultou advogados sobre a transação. A companhia foi avisada de que não houve violação das sanções dos EUA, pois não havia pagamentos em dinheiro envolvidos, já que o óleo foi recebido para compensar a ajuda alimentar. 

"A aquisição da Libre da titularidade da carga da PDVSA em satisfação das obrigações de dívida pré-existentes ocorreu inteiramente fora da jurisdição de sanções dos EUA", disseram os advogados em análise enviada para a empresa e compartilhada com a Reuters. O departamento do Tesouro dos EUA, PDVSA e o governo venezuelano não responderam aos pedidos de comentário.  

O contrato entre os proprietários mexicanos de Libre Abordo - Olga Zepeda e Veronica Esparza - e o governo venezuelano entrou em vigor no ano passado e nenhum intermediário foi usado nas negociações, informou a empresa. "Não são contratos de compra e venda. O contrato é considerado como ajuda humanitária". 

Não há um prazo final para que novos produtos sejam trocados, disse a Libre Abordo. A empresa ainda afirmou que espera concluir a entrega de 210 mil toneladas de milho e de mil caminhões de água nos próximos meses, enquanto segue recebendo petróleo em troca.    

As cargas de petróleo recebidas são revendidas imediatamente e os compradores tomam posse delas nos portos da PDVSA sem nenhuma informação fornecida à Libre Abordo sobre o destino ou uso final, informou a empresa. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.