Departamento do xerife do condado de Palm Beach / AFP
Departamento do xerife do condado de Palm Beach / AFP

Bilionário americano Jeffrey Epstein é acusado de tráfico sexual de menores

Em 2007, os advogados do empresário chegaram a um acordo com o então mais alto procurador federal em Miami para acabar com uma investigação que poderia lhe render uma condenação à prisão perpétua

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 11h12
Atualizado 09 de julho de 2019 | 08h48

NOVA YORK, EUA - O empresário Jeffrey Epstein foi acusado nesta segunda-feira, 8, de exploração sexual de menores de idade entre 2002 e 2005. Ele foi detido no sábado em um aeroporto de New Jersey, nos Estados Unidos, e era esperado que se apresentasse nesta manhã em uma corte de Manhattan ante o juiz Henry Pitman, ao qual se declarou inocente. Os advogados do magnata ainda pediram mais três dias para preparar um pedido de liberdade sob pagamento de fiança. O bilionário fez fortuna em um fundo de investimentos e é amigo de políticos.

O empresário, de 66 anos e que tem antecedentes de crimes sexuais, é acusado de tráfico sexual de dezenas de meninas e de conspiração para cometer tráfico sexual de menores pelo Ministério Público do distrito sul de Nova York, crimes pelos quais pode receber pena máxima de 45 anos de prisão.

Epstein teria cometido os crimes em sua mansão em Manhattan há mais de uma década em um processo no qual evitou ser denunciado com acusações federais graças a um polêmico acordo extrajudicial, no qual admitiu ter solicitado serviços de prostituição e que foi alvo de escrutínio recentemente.

Seu caso sofreu uma reviravolta depois que um juiz da Flórida decidiu, em fevereiro, que a promotoria violou a lei ao esconder o acordo, que afetava mais de 30 mulheres que o denunciaram por abusos sexuais quando eram menores.

"Epstein estava muito consciente de que diversas de suas vítimas eram menores de idade e, não surpreendentemente, algumas das meninas que Epstein teria vitimado eram especialmente vulneráveis à exploração", disse o procurador Geoffrey Berman em entrevista coletiva.

Em 2007, os advogados de Epstein chegaram a um acordo com Alexander Acosta, o então mais alto procurador federal em Miami, para acabar com uma investigação que poderia lhe render uma condenação à prisão perpétua. Declarou-se culpado de acusações estaduais menores, foi condenado a 13 meses de prisão na penitenciária de Palm Beach e chegou a um acordo para pagar indenizações às vítimas.

Acosta é atualmente secretário de Trabalho do governo Trump e alvo de uma campanha que exige sua renúncia em razão da pena relativamente menor imposta a Epstein.

Segundo o jornal The Miami Herald, o magnata atraiu dezenas de adolescentes, algumas de 13 anos de idade, oferecendo dinheiro em troca de massagens e prometendo a algumas delas que financiaria suas carreiras universitárias.

O juiz da Flórida, Kenneth Marra, não invalidou o acordo de culpabilidade entre Epstein e a promotoria ao decidir que ele violava a lei, mas pediu aos promotores que consultassem as vítimas, já que "elas devem ser notificadas sobre fatos significativos que solucionem seus casos sem julgamento".

Segundo a emissora ABC7, Epstein foi detido no aeroporto de Teterboro, no Estado de New Jersey, ao desembarcar de um voo que saiu da França, como resultado de uma investigação conjunta entre o FBI e a polícia de Nova York.

Há anos, o empresário mantinha contato com o atual presidente americano, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew da Inglaterra, entre outros.

Clinton diz 'não saber de nada'

O ex-presidente americano Bill Clinton disse na segunda-feira "não saber de nada" sobre os crimes de tráfico sexual de menores pelos quais Jeffrey Epstein está sendo acusado.

"O presidente Clinton não sabe nada sobre os crimes terríveis pelos quais Jeffrey Epstein se declarou culpado na Flórida há alguns anos, ou aqueles que foram recentemente descobertos em Nova York", disse em comunicado o porta-voz do ex-presidente, Angel Ureña. Clinton "não fala com Epstein há mais de uma década", completou.

Ureña explicou que o ex-presidente fez duas viagens em 2002 e 2003 com o avião de Epstein - duas para a África, uma para a Ásia e outra para a Europa - todas "relacionadas ao trabalho da Fundação Clinton". "Funcionários e apoiadores da Fundação e sua escolta do Serviço Secreto viajaram em cada etapa da viagem", detalhou.

"Ele teve uma reunião com Epstein em seu escritório no Harlem em 2002, e perto da mesma data fez uma breve visita ao apartamento de Epstein em Nova York com um funcionário e sua escolta", acrescentou o porta-voz. Ureña também disse que Clinton "nunca esteve" na mansão Epstein na Flórida, em sua fazenda no Novo México ou em Little Saint James, a ilha particular do magnata no arquipélago caribenho das Ilhas Virgens. / EFE, AFP, NYT e AP

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