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China prende empresário canadense ligado a Kim Jong-un

Segunda detenção feita por Pequim aumenta tensão entre países; chineses negam que caso seja resposta a prisão de herdeira da Huawei

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 02h16

PEQUIM - A tensão entre os governos chinês e canadense aumentou nesta quarta-feira com a confirmação de um segundo cidadão do Canadá preso na China após a detenção, no dia 1.º, da diretora financeira da gigante chinesa Huawei, Meng Wanzhou – solta sob fiança na terça-feira. Pequim admitiu ter prendido o empresário Michael Spavor, dono de uma agência de intercâmbio cultural com a Coreia do Norte e um dos raros ocidentais que tem trânsito com o ditador Kim Jong-un.

 Spavor e o ex-diplomata Michel Kovrig foram detidos na segunda-feira pelo Ministério de Segurança do Estado – responsável pelos serviços de espionagem – e estão sendo investigados por “atividades que prejudicam a segurança nacional”.

Na entrevista diária do Ministério das Relações Exteriores chinês, o porta-voz Lu Kang confirmou que, desde segunda-feira, “medidas coercitivas” foram tomadas contra Spavor e Kovrig – um analista para o nordeste da Ásia do International Crisis Group (ICG), um centro de estudo sem fins lucrativos, com sede em Bruxelas. Segundo Lu, os “direitos e interesses legítimos dos dois cidadãos estão garantidos”. 

Spavor mantém relações no mais alto nível na Coreia do Norte. Ele foi um dos mediadores e guia na visita do jogador de basquete Dennis Rodman a Pyongyang, em 2013. O empresário é um dos estrangeiros que não só conseguiram se reunir com Kim, mas exibiram alguma proximidade com o ditador, evidente em fotos descontraídas. 

Spavor foi preso em sua casa em Dandong, na fronteira entre a China e a Coreia do Norte. Inicialmente, ele conseguiu contatar as autoridades canadenses para notificar que agentes de segurança chineses tinham vindo buscá-lo. Depois, o contato foi perdido. 

O empresário planejava ir a Seul, na segunda-feira. Sua empresa, a Paektu Cultural Exchange, organiza intercâmbios culturais e esportivos e visitas turísticas à Coreia do Norte.

A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, que nesta quarta-feira revelou a segunda prisão, ressaltou que, nos contatos entre os dois governos, sobre ambos os casos, recebeu garantias da China de que as detenções não têm relação com a prisão de Meng.

O Canadá prendeu a executiva a pedido dos EUA, onde ela é acusada de fraude com a intenção de violar as sanções ao regime iraniano. Ela está em liberdade condicional no Canadá, aguardando um processo de extradição para os EUA.

“É difícil acreditar que não haja uma conexão entre as prisões e o caso da Huawei”, disse Maya Wang, analista da Human Rights Watch. “Os casos dos canadenses são lembretes de que, à medida que o governo chinês se tornar mais repressivo sob Xi Jinping, o impacto de seus abusos será cada vez mais sentido além das fronteiras da China.” / NYT, W.POST e AFP

 

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