Alejandro Pagni/AFP
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Empresário declarou ter pago ocupação fantasma de hotel dos Kirchners, diz jornal

Segundo 'La Nación', Lázaro Báez admitiu à receita federal argentina ter quitado o aluguel de 2.300 diárias durante três anos no hotel de luxo da família presidencial no sul do país

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 12h04

BUENOS AIRES - O empresário argentino suspeito lavar dinheiro pagando a conta de quartos não ocupados em um hotel da família Kircher durante três anos confirmou a manobra em declaração à receita federal, segundo o jornal La Nación.

De acordo com documentos que o diário alega ter consultado, Lázaro Báez admitiu ter pago por 2.300 diárias no hotel de luxo Alto Calafate, no sul do país, durante três anos, além de alugar dois de seus salões. O hotel tem 103 quartos. 

Em decorrência dessa operação, a família arrecadou, de acordo com a denúncia, pelo menos US$ 6,2 milhões entre 2008 e 2013. A Justiça investiga se Lázaro Báez foi beneficiado em licitações em troca do favor ao negócio da família da presidente Cristina Kirchner. Suas empresas obtiveram na última década obras de concessão federal no valor de US$ 900 milhões, na maioria executadas pelas províncias.

A suspeita de participação de Báez em lavagem de dinheiro no caso Hotesur foi reforçada por documentos apreendidos em uma operação de busca na imobiliária de Máximo Kirchner, filho de Cristina, em 13 de julho. Entre os itens levados pela polícia havia recibos, contratos de aluguel e cheques que atestam negócios do empresário com o expresidente Néstor Kirchner (20032007), morto em 2010, e com Máximo.

A operação que encontrou os papéis levou ao afastamento do juiz Claudio Bonadio do comando da investigação. O Conselho da Magistratura, órgão dominado por políticos ligados ao kirchnerismo, considerou que ele comprometido sua neutralidade ao levar agentes da policia metropolitana de Buenos Aires - governada por Mauricio Macri, candidato opositor à presidência - para Río Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, base eleitoral dos Kirchners. O mesmo conselho havia punido Bonadio com a perda de 30% de seu salário no ano passado. A decisão foi revertida este ano.

O caso Hotesur chegou a Rafael Rafecas, mesmo juiz que desconsiderou a denúncia contra a presidente feita pelo promotor Alberto Nisman quatro dias antes de ser encontrado morto com um tiro na cabeça, em janeiro. Rafecas, acusado pela oposição de beneficiar o governo em reiteradas ocasiões, considerou válida a operação de Bonadio. A oposição suspeitava que Cristina decidiria se candidatar a algum cargo na eleição de 25 de outubro, pensando em proteção jurídica no caso que envolve sua família. Ela não será candidata e, na semana passada, disse em rede nacional que voltará a viver em Santa Cruz. Báez e a família Kirchner não se manifestaram sobre o caso ontem.  

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