Empresário denuncia colegas após ameaças

Temendo por sua família, Antonini Wilson entrega outros agentes do ?escândalo da maleta?

Ariel Palacios, Buenos Aires, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

Guido Alejandro Antonini Wilson, um misterioso empresário venezuelano que também tem cidadania americana, passou de vilão num dos maiores escândalos políticos na região a vítima do caso.O empresário, para livrar a si próprio e sua família de ameaças de morte, após o fracasso do contrabando de uma maleta com US$ 790 mil - supostamente para a campanha eleitoral de Cristina Kirchner - decidiu denunciar ao FBI (polícia federal dos EUA) os companheiros que participaram da chamada "operação maleta", os venezuelanos Franklin Durán e Carlos Kauffmann.Após a descoberta da maleta com o dinheiro no aeroporto metropolitano de Buenos Aires, em 4 de agosto, Antonini Wilson voltou aos EUA, passando primeiro pelo Uruguai. Ele foi imediatamente procurado pelo FBI em seu apartamento de luxo em Key Biscayne. Dias depois, em 23 de agosto, Antonini Wilson foi procurado por Durán. O venezuelano disse que era necessário realizar uma operação de acobertamento com documentos falsos para ocultar a origem do dinheiro apreendido. Durán disse a Antonini Wilson que ele seria perseguido pelos governos da Venezuela e da Argentina caso admitisse que o dinheiro encontrado na maleta e confiscado na alfândega argentina não lhe pertencia. "As conseqüências de suas futuras ações podem pôr em risco a vida de suas filhas", ameaçou Durán. Outro integrante do grupo de acobertadores, Moisés Maionica, disse que a Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA) arcaria com todos os gastos e multas que Antonini Wilson eventualmente tivesse de pagar como resultado da apreensão do dinheiro em Buenos Aires. Segundo o relatório do FBI, publicado ontem pelo jornal portenho La Nación, Durán afirmou - na conversa que estava sendo gravada secretamente - que "existem pessoas na Venezuela e na Argentina que gostariam de resolver essa bagunça para que a verdade não apareça". ELEIÇÕESDias depois, em 27 de agosto, Durán e Maionica voltaram a reunir-se com Antonini Wilson. Na ocasião, estavam acompanhados de um argentino - o FBI não divulgou sua identidade. No encontro, Durán disse ao empresário que "a revelação do motivo da entrega e do receptor do dinheiro confiscado poderia provocar a derrota nas eleições". Durán referia-se às eleições presidenciais argentinas. Na época, Cristina Kirchner estava na liderança das pesquisas. Em 29 de agosto, Durán voltou a pressionar Antonini Wilson, afirmando que "o máximo nível do governo venezuelano" estava lidando com o caso. Na terça-feira, um dia depois da posse de Cristina em Buenos Aires, o grupo de acobertadores voltou a conversar com Antonini Wilson sobre os planos para a obtenção de documentos falsos que ajudasse a ocultar a verdadeira fonte do dinheiro.CONEXÃO CARACAS 4/8: O venezuelano Guido Antonini Wilson é detido ao desembarcar em Buenos Aires com US$ 790 mil não declarados 7/8: Chávez desmente prisão de membro de sua comitiva 9/8: Claudio Uberti, assessor do ministro do Planejamento argentino, renuncia após Justiça revelar sua presença no vôo de Antonini 15/8: Jornais afirmam que contas de Antonini eram pagas pela estatal venezuelana PDVSA. Diego Uzcateguy, vice-presidente da empresa, renuncia após Kirchner pedir sua cabeça a Chávez 23/8: Interpol acata pedido de Argentina por prisão internacional de Antonini, que é detido cinco dias depois pelo FBI em Miami Quarta-feira: FBI anuncia prisão de quatro agentes a serviço de Caracas, revelando que dinheiro apreendido em agosto financiaria campanha de Cristina

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