Francisco Munoz/AP
Francisco Munoz/AP

Empresário investigado expõe elo com Kirchners

Acusado de lavagem de dinheiro, Lázaro Báez rompe com kirchnerismo ao exibir proximidade que tinha da família

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2016 | 05h00

Desde que uma filmagem mostrando seu filho contando pilhas de dólares tornou-se o vídeo mais comentado da Argentina, o “czar da construção” Lázaro Báez, investigado por lavagem de dinheiro e associação ilícita, viu líderes kirchneristas com os quais tinha ligação se afastarem. 

Num sinal de que não quer enfrentar a Justiça sozinho, Báez reproduziu ontem em seu jornal, o Prensa Libre, a notícia de que Alicia Kirchner, cunhada da ex-presidente Cristina Kirchner, vendeu-lhe uma casa em 2003. “Que Alicia não perca a memória. Silêncio é saúde”, disse.

Na semana passada, depois de a Justiça convocar Báez a depor, Alicia, governadora da Província de Santa Cruz, berço político do clã, afirmou que ele nunca tinha sido parceiro da família. Báez foi um dos maiores beneficiados por concessões nos 12 anos de kirchnerismo. 

O cerco sobre ele começou a apertar no dia 16, com a divulgação do vídeo de 2012 em que Martín Báez usa uma máquina para contar fardos de dinheiro em uma sede da empresa em Buenos Aires apelidada de “Rosadita”, referência à proximidade da sede presidencial. 

O primeiro sinal de que ele já não contava com proteção após a mudança de governo veio na semana passada. “Báez acabará na cadeia”, disse ao canal TN o kirchnerista Ricardo Etchegaray, que na época comandava o Fisco argentino e hoje é o titular da Auditoria Geral da Nação. 

A previsão acelerou o rompimento com os Kirchners. “Eu posso demonstrar a origem de meu dinheiro. Etchegaray e Alicia, não”, afirmou o empresário no fim de semana. Em retaliação, a governadora, irmã de Néstor, cancelou 24 projetos de Báez na província.

O empresário é peça central na principal investigação sobre os Kirchners, o “caso Hotesur”. Há indícios de que quartos de hotéis da família foram alugados apenas no papel e pagos pelo empresário.

Analistas que acompanham o noticiário brasileiro questionam se Báez pode tornar-se um delator. Um projeto de lei de delação premiada para casos de corrupção chegará ao Congresso. Segundo o criminalista Hugo Carribero, hoje, a figura existe para narcotráfico e terrorismo. “Para funcionar na Argentina, é preciso aumentar as penas para corrupção. Alguém que pegará no máximo 3 anos não tem estímulo a entregar ninguém”, disse ao Estado.

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