Empresário nega ter subornado Sharon

Um empresário baseado na África do Sul que está no centro de uma controvérsia política em Israel denunciou, nesta quarta-feira, que a imprensa promove uma campanha de difamação contra o primeiro-ministro Ariel Sharon, afirmando que o dinheiro que ele deu aos filhos de Sharon não foi um suborno, e sim uma ajuda a um velho amigo.A controvérsia está minando o apoio popular do mandatário, diante das eleições de 28 de janeiro.O jornal Haaretz afirmou na terça-feira que Sharon estava sendo investigado pela polícia com relação ao dinheiro recebido de Cyril Kern, que foi um amigo próximo de Sharon desde a guerra de 1948, que estabeleceu o Estado judeu. Os assistentes de Sharon negam qualquer comportamento indevido por parte de seu líder e insistem que o dinheiro foi um empréstimo feito dentro das regras legais.O procurador-geral israelense, Elyakim Rubinstein, falando hoje à rádio do Exército, confirmou que há uma investigação, e que Israel havia solicitado ajuda à África do Sul, mas também disse que o vazamento da informação tinha fins políticos."O motivo é aproveitar a oportunidade das eleições e a situação atual", disse Rubinstein.O assessor de Sharon, Eyal Arad, foi mais direto na terça-feira, em uma entrevista à imprensa, afirmando que a informação fazia parte de "uma tentativa de derrubar um primeiro-ministro e mudar o regime em Israel através de una campanha de rumores, mentiras e desinformação".As revelações mais recentes ocorrem enquanto a polícia também investiga acusações de compra de votos e envolvimento com a máfia nas eleições primárias do partido de Sharon, o Likud, celebradas no mês passado, nas quais o partido escolheu seus candidatos ao Parlamento.Esse escândalo fez diminuir a vantagem de mais de dois dígitos que o Likud tinha sobre o opositor Partido Trabalhista nas pesquisas, e hoje se especulou, pela primeira vez, que Sharon poderia não ganhar as eleições de 28 de janeiro. As acusações se referem a uma transferência de US$ 1,5 milhões realizada há um ano por Kern para Guilad e Omri, filhos de Sharon. O dinheiro foi utilizado como garantia de um empréstimo usado para devolver fundos de campanha ilegais usados em uma eleição de 1999, segundo a reportagem. O Haaretz disse que Sharon havia dito à polícia que obteve o dinheiro hipotecando sua fazenda.A reportagem do Haaretz, baseada em um documento obtido junto ao Ministério de Justiça de Israel, afirma que se suspeita de que Sharon e seu filho Guilad tenham recebido subornos, cometendo abuso de confiança, fraude, e enganado a polícia e o Tesouro de Israel.Kern, um cidadão britânico de 73 anos, radicado em Cidade do Cabo, negou-se a entrar em detalhes sobre o caso quando a Associated Press entrou em contato com ele na terça-feira. Mas, nesta quarta-feira, falou à rádio do Exército sobre sua relação com Sharon.

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