MIRO DE SOUZA|AGENCIA RBS-18|3|2011
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Empresários brasileiros celebram vitória de opositor argentino

Segundo representantes do setor agroindustrial, mudança na Casa Rosada pode favorecer os negócios com o Brasil

Mário Braga e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2015 | 23h09

Empresários e setores da indústria do Brasil reagiram positivamente à vitória de Mauricio Macri na Argentina. Eles afirmaram ontem ao Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, que a mudança na Casa Rosada deve favorecer os negócios com o Brasil.

O presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, João Sampaio, avaliou que a eleição de Macri deve favorecer futuros negócios da indústria brasileira de carnes. Segundo ele, o fim das “retenções”, taxação média de 30% nas exportações argentinas, prometido por Macri, estimulará a retomada de plantas fechadas, bem como possíveis negócios das companhias.

Fontes do setor apontam que a Minerva Foods teria interesse em adquirir unidades na Argentina, o Mafrig pretende vender fábricas e o JBS pode retomar processadoras paralisadas após as exportações serem prejudicadas pelas “retenções”.

Apesar de ter um status sanitário parecido com o Brasil, a Argentina é vista como estratégica pelas companhias do setor por ter acesso a importantes mercados na Europa.

O diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni, afirmou que a vitória de Macri é positiva em razão da intenção dele de ampliar o comércio externo do país. “Ele deve mexer na questão do Mercosul e destravar acordos, principalmente com a União Europeia, um desejo antigo do agronegócio brasileiro.” Cornacchioni, no entanto, lembrou que a promessa de Macri de zerar a taxação de exportações de produtos agropecuários pode provocar impacto no curto prazo no mercado de soja.

Com uma média de 30% de taxação sobre grãos, produtores argentinos passaram a estocar a oleaginosa, cotada em dólar, como forma de poupança cambial. “Há uma ameaça ao produtor, pois o aumento nas exportações de soja argentina pode pressionar o preço da commodity, que já não é tão alto”, afirmou. “Mas o produtor brasileiro tem formas de se proteger e muitos já fizeram hedge para a safra 2015/16.”

O economista Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria, disse que a vitória implicará em ajustes fortes no câmbio e nas tarifas públicas do país, com reflexos significativos sobre a inflação, que deve passar de 25% para 40% ao ano entre 2015 e 2016.

Os resultados, porém, devem ser mais rápidos que as mudanças na política econômica implementadas no Brasil, porque o novo governo argentino assume mais alinhado ideologicamente e com maior consenso sobre as propostas econômicas. Para o especialista, que vive em São Paulo, os principais ajustes serão o do câmbio e das tarifas públicas, o que deve ter efeitos diretos sobre a inflação.

Atualmente, a cotação oficial do dólar varia entre 9 e 10 pesos argentinos, enquanto no mercado paralelo chega a 15 pesos. A retirada de todas as restrições sobre importações e sobre compra da moeda americana deve pressionar o câmbio ainda mais. A tendência, segundo o economista, é que haja uma convergência das taxas para um valor mais próximo da cotação paralela.

Com o Banco Central sem muitas reservas, o governo deve estimular a oferta de dólares fechando acordos com o FMI, além da entrada de recursos via exportação de produtos agrícolas. “Estima-se que haja hoje na Argentina um estoque de grãos da ordem de US$ 10 bilhões que não foi exportado esperando apenas as retiradas das restrições sobre o câmbio”, afirmou Jensen.

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