Empresários canadenses pressionam seu governo

O ministro da Agricultura do Canadá, Lyle Vanclief, afirmou nesta sexta-feira a empresários e organizações canadenses de defesa dos consumidores, durante uma conferência telefônica, que está trabalhando com o governo brasileiro para resolver rapidamente as questões que levaram o governo de Ottawa a suspender as importações de produtos de carne brasileira, na semana passada. Vanclief contou que acabara de ter uma longa conserva por telefone com o ministro da Agricultura do Brasil, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. "Ele disse que está à espera de informações adicionais pedidas ao Brasil e que reverterá a ordem de suspensão das importações tão logo elas sejam recebidas e analisadas", disse à Agência Estado o presidente da Associação Canadense dos Importadores e Exportadores, Robert Armstrong, que participou da conversa. "Ele não falou em prazos, mas indicou que talvez a medida seja candelada em uma semana ou pouco mais." Vanclief justificou a drástica ação canadense como uma medida preventiva para proteger a saúde dos consumidores. O ministro também informou que o banimento temporário da carne brasileira, que criou a pior crise da história das relações entre os dois países, foi decidida em reunião do gabinete de ministros na quinta-feira da semana passada. Segundo Vanclief, vários de seus colegas do gabinete alertaram para as repercussões negativas que a ação teria, mas a apoiaram por causa do argumento sanitário. Armstrong disse que perguntou ao ministro, de forma muito franca, se a medida estava relacionada com a disputa entre a Bombardier e a Embraer, e Vanclief assegurou que não. "Nós nos sentimos como reféns da briga entre a Bombardier e a Embraer e queremos que ela também seja resolvida sem retaliações, pois elas destruiriam vários negócios no Canadá que são nossos associados e dependem do comércio com o Brasil", afirmou Armsntrong ao ministro.Empresários pressionamO mesmo argumento foi enfatizado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá em carta enviada nesta quinta-feira aos ministros das Relações Exteriores, Comércio e Industria em Ottawa. "Manifestamos nossa profunda preocupação com o banimento da carne brasileira, expressando nossa opinião de que a medida é prejudicial às relações entre os dois países, que já estão machucadas pela disputa entre a Bombardier e a Embraer", disse Alan Dean, o presidente do conselho de diretores da Câmara, sediada em Toronto. "Nossa preocupação é que esse episódio afetará investidores e exportadores canadenses no Canadá, e nós conclamos o governo do Canadá uma vez mais a fazer o que puder para manter um bom relacionamento com o Brasil". Dean disse que, a despeito dos repetidos desmentidos de Ottawa de que a decisão sobre a carne nada teve a ver com a briga dos aviões, "o fato é que a tensão subjacente na relação entre os dois países, por causa da disputa entre a Bombardier e a Embraer, criou um ambiente fértil para o que aconteceu agora". Segundo Dean, as mais de sessenta companhias representadas pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá "esperam que as pessoas no Canadá - e o mesmo se aplica ao Brasil - compreendam que nossos países têm muito a ganhar sendo amigos".

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