Empresários convocam greve geral na Venezuela

A maior organização empresarial da Venezuela declarou-se nesta quarta-feira em estado de emergência e decidiu convocar uma paralisação geral nos próximos dias diante da decisão do governo de aprovar um pacote de 49 leis sem consultar todos os setores por elas afetados. A decisão dos empresários ocorre em meio a rumores de descontentamento nas Forças Armadas e a apelos públicos feitos ao presidente Hugo Chávez por diversos setores da sociedade para que mude as políticas e a equipe de governo. O presidente da Federação de Câmaras Empresariais da Venezuela, Pedro Carmona, disse hoje que os empresários decidiram romper qualquer tipo de diálogo com o governo e convocar uma greve geral em protesto contra a maneira pela qual foi aprovado o pacote de leis. Carmona indicou que na segunda-feira haverá uma reunião plenária dos presidentes das principais câmaras setoriais para definir a data da greve. "Lamentamos que o Executivo tenha persistido em impor seus critérios sobre os demais setores da sociedade", disse Carmona à Union Rádio. "Estamos nos declarando em estado de emergência". Falando hoje pela televisão oficial, Chávez rejeitou as críticas dos empresários e afirmou ter feito uma ampla consulta ao país. O presidente pediu que os empresários "ocupem seus postos" e entendam que "o governo tem que zelar pelo interesse da maioria". O mandatário disse que a discussão do pacote de leis foi feita nos termos de um mandato que lhe foi outorgado pelo Congresso. Em novembro do ano passado, o Legislativo aprovou uma lei Habilitante que deu ao governante poderes especiais para legislar por um ano. Segundo Carmona, os empresários estão avaliando um "leque de opções" que vão desde ações judicias perante o Supremo Tribunal de Justiça até a decretação de uma greve geral.

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