Empresários convocarão greve geral contra Chávez

A Venezuela vai parar novamente para protestar contra o governo do presidente Hugo Chávez, decidiu hoje a maior federação de empresas do país, a Fedecámaras. A data do novo locaute - greve de empresários - ainda não foi estabelecida, mas o presidente da federação, Carlos Fernández, declarou que em 30 dias será escolhido "o momento mais oportuno" para a paralisação. Fernández acrescentou que o locaute pode "ocorrer a qualquer momento, desde que todas as circunstâncias para isso se apresentem". A última greve nacional por tempo indefinido na Venezuela, em 9 de abril, acabou com uma onda de violência que deixou pelo menos 12 mortos, com a deposição, dois dias depois, de Chávez da Presidência. O então presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, foi instalado no poder por um grupo de militares, mas o golpe fracassou 47 horas depois, com o retorno de Chávez ao Palácio Miraflores."Pior do que fazer um novo movimento contra o governo é não fazer nada", justificou Fernández. "Na Venezuela não temos Estado de Direito nem independência de poderes para garantir o respeito aos nossos direitos", acrescentou. O ministro da Agricultura, Efrén Andrade, disse que o governo está abastecido para enfrentar uma paralisação de até 15 dias e afirmou que alimentos apreendidos por contrabando poderão ser distribuídos gratuitamente à população, em caso de necessidade.Desde que chegou ao poder com o objetivo de levar adiante sua "revolução bolivariana", Chávez tem desafiado os partidos políticos tradicionais, os meios de comunicação, os sindicatos de empresários e trabalhadores e quase todas as organizações da sociedade civil venezuelana. No primeiro semestre deste ano, a economia sofreu uma retração de 7,1% do PIB do país e o desemprego chegou em junho a 16,2%.

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